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Casa da Rabeca: cultura e tradição do Estado de Pernambuco, Brasil

A Casa da Rabeca do Brasil foi fundada em 21 de abril de 2002, realizando um sonho do Mestre Salustiano, o espaço localizado na cidade Tabajara, em Olinda, é dedicado à preservação da cultura e tradição do Estado de Pernambuco. Atualmente se dedica às apresentações de danças, oficinas, encontros de maracatus rurais e cavalo-marinho, além de shows de música regional

 

 

Casa da Rabeca: cultura e tradição do Estado de Pernambuco, Brasil

Última atualização: 30/08/2021

Por: Cláudia Verardi - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Doutora em Biblioteconomia e Documentação

A cultura do Estado de Pernambuco, uma das culturas mais ricas e diversificadas do Brasil, tem base luso-brasileira, com influências principalmente das culturas indígena, africana, judaica e holandesa.
 
O Carnaval é a época do ano que as manifestações populares se tornam mais visíveis tanto para os pernambucanos como para os visitantes do resto do país ou vindos do exterior, pois se multiplicam as apresentações de MaracatuCaboclinhoCoco de RodaCiranda, Frevo, entre outras. Também existem outros movimentos culturais no Agreste e no Sertão como os Papangus de Bezerros e os Caretas de Triunfo.
 
O período junino em Pernambuco também é bastante significativo e marca um período de inúmeras apresentações culturais. Especialmente os Maracatus de baque solto ou baque virado se destacam nessa época do ano.
 
A Casa da Rabeca do Brasil foi fundada em 21 de abril de 2002, realizando um sonho do Mestre Salustiano.
 
rabeca é um instrumento musical de cordas similar ao violino que, apesar da semelhança possui alguns aspectos divergentes. A construção dos dois instrumentos é diferente porque a rabeca, ao contrário do violino, não segue um padrão e, portanto, pode apresentar diferentes tamanhos, formatos, número de cordas, afinações e materiais utilizados para sua confecção. Outro aspecto que distingue os dois instrumentos é a maneira de tocar: o violino é normalmente posicionado sob o queixo do músico já a rabeca geralmente é apoiada sobre o peito ou sobre o ombro esquerdo do tocador (tal como alguns instrumentos medievais).
 
Manoel Salustiano Soares, o Mestre Salustiano ou Mestre Salu, nasceu no dia 12 de novembro de 1945 em Aliança, na Zona da Mata norte de Pernambuco.
 
Mestre Salu era músico, produtor, artesão e também professor e grande colaborador da difusão e preservação da cultura nordestina através do improviso da viola, da ciranda, do pastoril, do coco, do maracatu, do caboclinho, do mamulengo, do forró, bem como de outras manifestações populares do folclore nordestino.
 
Demonstrando enorme afinidade com a rabeca com a qual fazia uma singular fusão de ritmos do folclore nordestino, o mestre participava de turnês nacionais e internacionais.
 
O trabalho consistente voltado para a divulgação e preservação de manifestações culturais tradicionais rendeu ao Mestre a Comenda do Mérito Cultural Brasileiro em 2001.
 
Mestre Salu também foi o criador do "Encontro de Cavalo Marinho" em 1995, porém, o folguedo popular recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, juntamente com os Maracatus de Baque Solto e Baque Virado, 19 anos depois, em 2014.
 
O espaço localizado na cidade Tabajara, em Olinda, é dedicado à preservação da cultura e tradição do Estado de Pernambuco. O reduto de artistas populares, no início, era apenas uma tenda coberta de palhas de coqueiros que, por coincidência, é a árvore símbolo de Olinda. Funcionava apenas aos domingos e reunia tocadores de rabeca, sanfona, zabumba, pandeiro, triângulo, emboladores de coco, mestres de maracatu, cavalo marinho, cirandeiros, bem como seus familiares e amigos da Zona da Mata Norte de Pernambuco.
 
A Casa da Rabeca do Brasil atualmente se dedica às apresentações de danças, oficinas, encontros de maracatus rurais e cavalo-marinho, além de shows de música regional, que acontecem durante o ano inteiro. No período de carnaval, a Casa recebe Maracatu Piaba de Ouro (fundado pelo Mestre Salu), caboclinhos, bois, burras, troças, ursos. Já no período do Natal, é comum subir haver apresentações de pastoril, ciranda e cavalo-marinho, inclusive o do Boi Matuto que Mestre Salu criou em 1968.
 
O espaço já foi diversas vezes abrilhantado com o talento de músicos conhecidos como Geraldinho Lins, Santanna, Alcymar Monteiro, Petrúcio Amorim, Irah Caldeira, Antonio Carlos Nóbrega, Nadia Maia, Cristina Amaral, Sirano & Sirino, Genival Lacerda, Mazinho de Arcoverde, Lia de Itamaracá, entre outros.
 
A Casa da Rabeca possui uma grande infraestrutura para o público: área interna e externa para as diversas apresentações, um bar, salão de danças, mesas, estacionamento e uma loja, onde são comercializados produtos que antes eram confeccionados pelo próprio Mestre que deixou o legado aos seus filhos, tais como rabecas, alfaias, pandeiro, mamulengos, além de peças do artesanato de barro de Caruaru.
 
Dentro das comemorações do Ciclo Natalino de 2018, a Casa da Rabeca e a Família Salustiano promoveram, durante o 24º Encontro de Cavalos Marinhos, (evento gratuito no espaço cultural) o pré-lançamento de um documentário chamado “Salustianos”, de Tiago Leitão que apresenta os herdeiros do Mestre Salustiano (15 filhos de nove esposas diferentes) e a luta destes para preservar o legado do pai. O filme retrata também como as tradições são passadas de geração a geração, através de filhos, netos e bisnetos dos que se dedicam à cultura popular no dia a dia.
 
O diretor do longa-metragem inicialmente tinha a ideia de produzir um documentário sobre herdeiros culturais de Salustiano como, por exemplo: Chico Science, Antônio Carlos Nóbrega, Siba, entre outros com a produção que foi iniciada em 2012, no entanto, o filme traz depoimento dos onze filhos do mestre que continuaram a tradição deixada pelo pai após sua morte em agosto de 2008, além de imagens de arquivo sobre grupos culturais da Zona da Mata Norte.
 
Pedro Salustiano, um dos filhos de Mestre Salú, dirige a Casa da Rabeca que apresenta, segundo seu próprio depoimento, o que há de mais genuíno na cultura nordestina em todas as épocas do ano.
 
A Casa da Rabeca mais que um espaço para apresentações de música e dança, traduz um forte desejo de perpetuar a cultura nordestina em sua forma mais pura, criativa e cativante porque envolve amor às tradições. 
 
 
 
Recife, 15 de janeiro de 2020.

Fontes consultadas

AUGUSTO, Victor. As sementes que Mestre Salustiano deixou. Disponível em: <https://blogs.ne10.uol.com.br/social1/2018/08/12/as-sementes-que-mestre-salustiano-deixou/>. Acesso em: 03 dez. 2019.
 
A CASA da rabeca [site oficial]. Disponível em: <http://www.casadarabeca.com.br/>.  Acesso em: 18 out. 2018.
 
CASA da Rabeca [Foto neste texto]. Disponível em: <http://observatoriodeolinda.com/tag/casa-da-rabeca/>. Acesso em: 15 jan. 2020.
 
CASA da Rabeca comemora 16 anos. 2018. Disponível em: <https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/viver/2018/05/casa-da-rabeca-comemora-16-anos.html>. Acesso em: 03 dez. 2019.

Como citar este texto

VERARDI, Cláudia Albuquerque. Casa da Rabeca: cultura e tradição do Estado de Pernambuco, Brasil. In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2020. Disponível em:https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/casa-da-rabeca-cultura-e-tradicao-do-estado-de-pernambuco-brasil/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)