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Batalha de Casa Forte

Combate de 17 de agosto de 1645 entre pernambucanos e holandeses, que ficou conhecido como a Batalha de Casa Forte

Batalha de Casa Forte

Artigo disponível em: ENG

Última atualização: 13/09/2012

Por: Lúcia Gaspar - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

O combate de 17 de agosto de 1645, que ficou conhecido como a Batalha de Casa Forte, em alusão ao local onde foi travado, foi uma das mais notáveis vitórias pernambucanas na guerra contra o domínio holandês.

Após a derrota imposta ao exército holandês pelos pernambucanos na Batalha das Tabocas no dia 3 de agosto de 1645, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco, a tropa batava, na sua marcha de volta ao Recife, acampou no engenho Casa Forte pertencente a Anna Paes.

No dia 16 de agosto, o chefe dos holandeses, coronel Henrique Hous (van Haus), enviou o major Carlos Blaer com um destacamento para fazer uma revista nas casas do povoado da Várzea onde residiam as famílias de chefes revolucionários pernambucanos e prender suas mulheres.

A missão voltou no mesmo dia, com várias prisioneiras, entre as quais Isabel de Góis, mulher de Antônio Bezerra, Ana Bezerra, sogra de João Fernandes Vieira e Maria Luísa de Oliveira, mulher de Amaro Lopes, que foram encarceradas na casa-grande do engenho.

Comunicado o fato ao exército pernambucano que se encontrava nas proximidades de Tejipió, os chefes João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão, arregimentaram seus homens e partiram para socorrer as damas pernambucanas.

Marchando sob pesada chuva e enfrentando as más condições dos caminhos, conseguiram atravessar o rio Capibaribe, na altura do Cordeiro, até alcançar e cercar o engenho de Anna Paes, na manhã do dia 17 de agosto.

Pegos de surpresa pela fúria dos pernambucanos, os holandeses se refugiaram na casa-grande e colocaram as mulheres prisioneiras nas janelas que foram escancaradas.

O chefe da tropa pernambucana, interpretando o ato como um sinal de capitulação, ordenou um cessar fogo e enviou um oficial para negociar a rendição com os holandeses.

O emissário foi morto covardemente na frente da tropa, o que indignou a todos. Esquecendo que entre os inimigos estavam as mulheres dos chefes, os pernambucanos atacaram com ferocidade os holandeses e com sede de vingança atearam fogo na casa.

Cercado e sufocado pela fumaça, o chefe flamengo, coronel Henrique Hous, empunhando uma bandeira branca e o cabo de uma pistola, em sinal de rendição, capitulou junto com sua tropa.

A derrota custou aos holandeses 37 mortos, muitos feridos e mais de 300 prisioneiros, além de grande quantidade de armamento, cavalos e víveres.

Foram feitos prisioneiros vários expoentes da oficialidade holandesa o que atemorizou de tal forma os invasores, que eles mandaram arrasar as casas do Recife, as árvores do Parque de Maurício de Nassau e determinaram a retirada imediata das tropas dos fortes de Sergipe, São Francisco e Porto Calvo e sua transferência para garantir a segurança do centro do Recife e adjacências.

A perda na tropa pernambucana foi pequena, as reféns foram libertadas e os feridos levados para os engenhos de Apipucos e São João da Várzea.

Os prisioneiros holandeses foram enviados para a Bahia. O coronel Henrique Hous partiu da Bahia para Portugal no dia 6 de fevereiro de 1646, chegando a ilha Terceira onde foi encarcerado no castelo de São João até a sua ida para Lisboa. Tendo se recusado a servir a Portugal, foi enviado para a Holanda. Regressou depois a Pernambuco e foi morto na primeira Batalha dos Guararapes, em abril de 1648.

 


Recife, 21 de outubro de 2004.
(Atualizado em 21 de agosto de 2009).

Fontes consultadas

COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Anais pernambucanos. 2. ed. Recife: Fundarpe, 1983. v. 3. p. 230-233. (Coleção pernambucana, 2a. fase).

GUERRA, Flávio. Casa Forte. Revista do Conselho Estadual de Cultura, Recife, p. 77-80, [2000]. Edição especial.

VASCONCELLOS, Telma Bittencourt de. Dona Anna Paes. Recife: Edição do Autor, 2004. 208 p

Como citar este texto

Fonte: GASPAR, Lúcia. Batalha de Casa Forte. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.