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Superstições e Crendices Juninas

Superstições e crendices juninas fazem parte das tradições, usos e costumes do povo, presentes especialmente em cidades do interior nordestino.

Superstições e Crendices Juninas

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 06/04/2022

Por: Lúcia Gaspar - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Documentação Científica

O folclore do Ciclo Junino é um dos mais ricos do Brasil, principalmente na região Nordeste. Além de folguedos, culinária, música e danças, há uma grande quantidade de superstições e crendices que fazem parte das tradições, usos e costumes do povo, presentes especialmente em cidades do interior nordestino.

São muitas as adivinhações, simpatias e “sortes” (profecias sobre questões amorosas), ligadas principalmente ao casamento, feitas nas vésperas dos dias de Santo Antônio (13 de junho) – o Santo Casamenteiro -, São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho), que deixam muita gente esperançosa sobre suas realizações, em especial as moças casadouras.

Luís da Câmara Cascudo e vários outros estudiosos do folclore registraram essas tradições, que vêm sendo transmitidas há muitas gerações, contribuindo para a preservação da cultura popular brasileira. Confiram algumas dessas superstições:

• Introduzir uma faca que não tenha ainda sido usada no tronco de uma bananeira. No dia seguinte, aparecerá a inicial do futuro marido ou esposa;

• colocar duas agulhas numa bacia com água. Se elas se juntarem é uma indicação que haverá casamento;

• passar um ramo de manjericão pela fogueira e atirá-lo no telhado. Se no dia seguinte, ao levantar-se a planta ainda estiver verde, o casamento será com um jovem, se estiver murcha, com um velho;

• colocar sob o travesseiro uma flor bem viçosa. Se na manhã seguinte ela ainda estiver bonita você se casará em breve;

• fazer uma prece no quarto pedindo a Santo Antônio um noivo e depois olhar pela janela. Se a primeira pessoa que passar for jovem, o noivo vai aparecer logo, se for velho vai demorar;

• pegar uma vela virgem e um prato com água. Aceder a vela e começar a pingar na água rezando a Salve-Rainha. Rezar até os “mostrai” dizendo: mostrai o nome do homem com quem vou me casar. Se formar uma letra será a inicial do homem com quem irá se casar;

• procurar no escuro uma pimenteira com pimentas verdes e vermelhas. Tirar uma pimenta sem ver a cor, embrulhá-la em um papel e colocá-la debaixo do travesseiro. Quando abrir o embrulho no dia seguinte, se a pimenta for verde seu marido será novo e se for vermelha, você casará com um velho; 

• ao levantar-se no dia de São João, traçar um baralho três vezes e pedir a outra pessoa para cortá-lo. Se a carta que sair for do naipe de ouro, seu sonho estará prestes a realizar-se;

• colocar em cada ponta do lençol o nome de uma pessoa querida e dar um nó frouxo em cada um deles. No dia seguinte, o nó que estiver desmanchado indicará o nome do seu marido ou esposa;

• prender uma fita qualquer no travesseiro e fazer uma oração. Se no dia seguinte a fita estiver solta será noivado certo;
 

• colocar um pouco de clara de ovo em um copo com água. Se no dia seguinte aparecer um desenho semelhante a uma igreja indica casamento, se for parecido com um navio, haverá uma próxima viagem, etc.

• encher a boca de água e ficar atrás da porta da rua. O primeiro nome de mulher ou homem que ouvir será o do noivo ou da noiva;

• plantar três dentes de alho, três dias antes do São João.O número de cabeças de alho que brotarem será a quantidade de anos que faltam para o casamento. Se nenhuma brotar, a pessoa não se casará;

• amarrar um fio numa aliança e segurá-lo acima de um copo com água. Sem mexer a mão, contar quantas vezes a aliança bate no copo. O número de vezes que isso ocorrer será a quantidade de anos que a pessoa terá que esperar para se casar;

• escrever cada letra do alfabeto em um pedaço de papel. Dobrá-los e colocá-los em um recipiente com água deixando-o no sereno. O primeiro que abrir conterá a inicial do futuro marido;

• colocar uma moeda dentro da fogueira. No dia seguinte pegar a moeda e entregá-la ao primeiro mendigo que encontrar. O nome do mendigo será o do futuro noivo ou marido;

• preparar um travessa de canjica e colocar dentro um aliança. Distribuir a canjica em pedaços para as moças presentes. A que receber o pedaço onde está a aliança será a primeira a se casar. 

 

Recife, 18 de abril de 2013.

 

Fontes consultadas

CASCUDO, Luís da. Dicionário do folclore brasileiro. 11. ed. rev. e atual.  São Paulo: Global, 2002. 

 

MELO, Veríssimo de. Superstições de São João. Natal: Pequenas Edições “Bando”, 1949.

 

REZAS, benzeduras, simpatias. São Paulo: Editora Três, [19--?].

 

SILVA, Leny de Amorim. Acorda povo, São João chegou! Recife: Ed. do Autor, 1993. 

 

SILVA, Leny de Amorim. Adivinhações e sortes. In: CICLO junino. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife, 19877. p. 69-80.

 

Como citar este texto

GASPAR, Lúcia. Superstições e crendices juninas. In: PESQUISA Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2013. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/supersticoes-e-crendices-juninas/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2009.)