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Museu do Homem do Norte (Manaus, AM)

 O Museu do Homem do Norte foi inaugurado no dia 13 de março de 1985, no centro de Manaus, Amazonas, em um prédio cedido por meio de comodato pela Prefeitura da Cidade.
 

Museu do Homem do Norte (Manaus, AM)

Artigo disponível em: ESP

Última atualização: 31/08/2022

Por: Lúcia Gaspar - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Documentação Científica

 O Museu do Homem do Norte foi inaugurado no dia 13 de março de 1985, no centro de Manaus, Amazonas, em um prédio cedido por meio de comodato pela Prefeitura da Cidade.

Quando da sua criação, o Museu era ligado à Coordenadoria da Amazônia – Coama, da Fundação Joaquim Nabuco. Posteriormente, a Coordenadoria foi transformada em Superintendência Regional da Amazônia – Suprama e por fim em Instituto de Estudos Sobre a Amazônia – IESAM.

Com a extinção do Instituto, em 2003, o Museu passou a ser ligado ao Museu do Homem do Nordeste, da Diretoria de Documentação.

O início da sua implantação se deu no ano de 1983, sob a orientação técnica da museóloga Veralúcia Ferreira de Souza, responsável pela concepção da estrutura física, definição das peças a serem adquiridas, aquisição e montagem do acervo. Como não havia uma equipe disponível, o trabalho foi assumido pela museóloga, que contou apenas com a ajuda esporádica da chefe da Coama, na época, Ilma Lauria.

Existia um anteprojeto para a criação do Museu, elaborado pelo Departamento de Museologia do antigo Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais - IJNPS (atual Fundação Joaquim Nabuco), porém, devido à distância geográfica e o desconhecimento da área física que o iria abrigar, foram necessárias diversas modificações para sua implantação.

A idéia básica era criar-se um museu que mostrasse a cultura do homem da região Norte nos moldes do Museu do Homem do Nordeste, situado nocampus Gilberto Freyre, bairro de Casa Forte, no Recife.

O trabalho de coleta e aquisição de acervo iniciou-se por Manaus, onde foram adquiridas peças através de doações, permuta e compra, estendendo-se, posteriormente, por outros estados da região e pelo interior do Amazonas, em localidades ribeirinhas e feiras livres.

Houve bastante cooperação de empresas locais que contribuíram com o transporte aéreo e ajuda na pesquisa de campo, como, por exemplo, a Látex Beneficiamento de Borracha, no município de Lábrea, onde foi possível que Veralúcia conhecesse os seringais nativos e os de cultivo, e fizesse um levantamento com os seringueiros, acompanhando todo o processo de produção da borracha As peças adquiridas foram doadas pela empresa.

A pesquisadora também realizou contatos com tribos indígenas, como a Sateré-Maué, quando conseguiu trocar uma raiz de “miraitã”, considerada afrodisíaca, por uma camiseta que estava vestindo na hora.

O Museu foi organizado em vários seguimentos: produtos regionais como o guaraná, a borracha, a castanha, a juta, a madeira; apetrechos de uma casa de farinha; setores de mineração, pesca, alimentação, medicina popular, artesanato, arte popular e folclore. Também foi incorporado ao seu acervo a Coleção Noel Nutels, do médico e sanitarista que dedicou sua existência ao bem-estar dos índios brasileiros. Fazem parte do acervo também 205 peças da Coleção Funai, cedida em regime de comodato.

Hoje, o Museu do Homem do Norte reúne na sua exposição permanente cerca de 2.000 peças representativas da cultura do homem amazônico, seja das populações indígenas ou das comunidades rurais da região Norte do Brasil. 

A exposição de longa duração do Museu está estruturada em seis módulos que sintetizam a rica cultura regional: Arqueologia; O Rio e Seus Mistérios; Povos Indígenas; Vida de Caboclo; Extrativismo e Festas Populares.

Constituindo-se num espaço cultural importante para a sociedade onde está inserido, o Museu dispõe de uma biblioteca de consulta, especializada em demografia regional, cultura e história amazônica e de uma livraria que comercializa obras publicadas pela Editora Massangana, da Fundação Joaquim Nabuco.

Promove ainda projetos e atividades educativo-culturais para os alunos das redes pública e privada de ensino do Amazonas e dispõe de um espaço para realização de eventos e divulgação da produção artístico-cultural da comunidade amazônica, através de exposições temporárias, lançamento de livros, realização de mini-cursos, palestras e mostras do folclore regional.

 

 

Recife, 23 de março de 2006.
 

Fontes consultadas

[Informações da coordenadora do Museu do Homem do Norte, museóloga Regina Lúcia de Souza Vasconcellos, em 20 de março de 2006.

JUCÁ, Joselice. Joaquim Nabuco: uma instituição de pesquisa e cultura na perspectiva do tempo. Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 1991. p. 152-156. 

Como citar este texto

GASPAR, Lúcia. Museu do Homem do Norte (Manaus, AM). In: PESQUISA Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2006. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/museu-do-homem-do-norte-manaus/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)