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Arruda (Bairro, Recife)

Manuel Inácio de Arruda, o “seu Arruda”, instalou um quitanda na Estrada Nova, logo transformada em mercearia, para atender aos inúmeros fregueses. Tornou-se tão conhecido que o nome do antigo bairro mudou para o sobrenome do negociante português: Arruda.

Arruda (Bairro, Recife)

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 11/08/2021

Por: Virgina Barbosa - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Biblioteconomia e História

No início do século XX, o atual bairro do Arruda era conhecido como Estrada Nova e, até a chegada das primeiras maxambombas (pequenas locomotivas em que os maquinistas trabalhavam numa cabine sem coberta), era um lugar sem nenhum atrativo. As casas, em sua maioria, eram de palha e as ruas tortas e de nomes estranhos: Sete Pecados, Urubu, Patitas, Beco do Chamego, entre outros.

Foi por causa das maxambombas e do progresso trazido por elas que o português Manuel Inácio de Arruda, o “seu Arruda”, instalou um quitanda na Estrada Nova, logo transformada em mercearia, para atender aos inúmeros fregueses. Tornou-se tão conhecido que o nome do antigo bairro mudou para o sobrenome do negociante português: Arruda.

À época, em volta da estação das maxambombas, localizada ao lado do atual estádio do Santa Cruz Futebol Clube, foi criada uma feira aos domingos e vários estabelecimentos comerciais surgiram.

Para o divertimento da população apareceram o Teatro do Melado, que apresentava dramas, fandangos, pastoris, e destes, os mais conhecidos eram os dos velhos Canela de Aço, Fuzarca, Baú e Pimenta; e muitos circos do tipo “tomara que não chova”, que traziam atrações como os palhaços de cara suja que faziam convites à população para o espetáculo, ora utilizando pernas de pau ora montados em jumentos.

O bairro também ficou muito conhecido pela preferência de seu povo pelo xangô (o lugar e o conjunto de cerimônias religiosas afro-brasileiras). Existiam muitos terreiros e os mais conhecidos eram o de Zefinha Guedes e o de Anselmo.

Entre as festas populares, o Carnaval e o Natal eram muito animados. Antecipando os festejos momescos, o bairro do Arruda já ficava em alvoroço a partir do mês de setembro por causa dos ensaios dos vários clubes, blocos, troças, caboclinhos, ursos e maracatus. Tinha como blocos ou agremiações carnavalescas de destaque: Flor de Lira, Camponeses, O Bagaço é Meu, Eco da Mocidade e Cachorro Lambe Tudo. Na festa do Natal havia mamulengo, bumba-meu-boi, fandango e retreta de bandas musicais, além da tradicional queima da lapinha.

Quando, em 1922, as maxambombas foram substituídas pelo bonde elétrico, o bairro já possuía dois cinemas, o Guanabara e o Arruda, que foi incendiado quando da Revolução de 1930.

Da década de 1920 até a de 1960 o bairro, em franco desenvolvimento, teve uma grande concentração de casas comerciais, consultórios médicos e inúmeras modificações na estrutura social e na configuração do espaço urbano. Entretanto, a sua infra-estrutura urbana apresentava problemas comuns à maioria dos bairros recifenses no que diz respeito à necessidade de ruas asfaltadas e de saneamento.

O grande destaque do bairro é o Estádio José do Rego Maciel, do time Santa Cruz Futebol Clube, conhecido nacionalmente como “Mundão do Arruda”. Embora não tenha sido criado no bairro do Arruda (sua fundação data de 3 de fevereiro de 1914, no Pátio de Santa Cruz, bairro da Boa Vista), ali instalou-se, em 1937, e foi inaugurado em 4 de junho de 1972.

Em 2000, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do bairro do Arruda era de 13.434 habitantes.

 


Recife, 15 de setembro de 2006.
 

Fontes consultadas

RABELO, Evandro. Arruda. Edição Extra, Recife, 11 ago. 1968. Recife, quem te viu, quem te vê, p. 10.

ARRUDA. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/bairros_recife/bairros_arruda.htm>. Acesso em: 26 ago. 2006.

Como citar este texto

BARBOSA, Virgínia. Arruda (Bairro, Recife). In: Pesquisa Escola. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2006. Disponível em:https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/arruda-bairro-recife/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)