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Torrões (Bairro, Recife)

“Torrões” (plural de torrão) surgiu no período de 1940, por causa da existência de muitas hortas na localidade onde eram plantadas batatas e macaxeiras, que depois de retiradas do solo deixavam espaços para os torrões de barro.

Torrões (Bairro, Recife)

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 29/03/2022

Por: Ana Paula Vieira - Professora da Escola Municipal Arraial Novo do Bom Jesus,
Isabel Cristina de Lemos Vasconcelos - Professora da Escola Municipal Arraial Novo do Bom Jesus
Cláudia Verardi - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Doutora em Biblioteconomia e Documentação

O Bairro Torrôes está localizado na zona oeste da cidade do Recife, possui uma área territorial de cerca de 168,6 hectares e uma população de aproximadamente 30.000 habitantes, pertencendo a  4ª Região Político-Administrativa da capital pernambucana (RPA-4). Faz limite com os bairros de Engenho do Meio, Curado, San Martin e Cordeiro.

Segundo o Dicionário (2016), torrão é gleba - solo ou terreno próprio para o cultivo; pedaço de terra relativamente endurecido. O nome “Torrões” (plural de torrão) surgiu no período de 1940, por causa da existência de muitas hortas na localidade onde eram plantadas batatas e macaxeiras, que depois de retiradas do solo deixavam espaços para os torrões de barro.

No período do surgimento do bairro, os terrenos não tinham valor comercial, sendo assim, as pessoas da localidade se apossaram dos mesmos. No governo de Agamenon Magalhães, houve a expulsão de famílias que viviam em mocambos no centro da cidade. Essas pessoas migraram para os Torrões e ali se estabeleceram. Dentre essas famílias descaram-se os Mendonça, que trabalharam com cerâmica. Seus herdeiros construíram uma olaria que mais tarde deu nome a uma das ruas do bairro (Rua da Olaria).

Muitos moradores testemunharam o surgimento do bairro. Segundo dona Maria do Carmo Cordeiro de Carvalho, moradora há 65 anos no bairro, as ruas eram todas de barro e difícil de transitar. Havia uma feira ao ar livre, onde era o antigo terminal de ônibus de Torrões. Com o passar dos anos as pessoas fixaram residência entre a Estrada do Forte (local dos conflitos entre os holandeses e os pernambucanos em 1630) e o canal de Torrões, se dividindo em duas comunidades: Torrões de Dentro e de Fora. No bairro existem algumas comunidades independentes, entre elas: Coreia, Roda de Fogo e Sítio das Palmeiras.

Em 1951 – ano em que dona Maria do Carmo foi morar nos Torrões, o bairro era uma área de plantio e havia várias vacarias na Praça da Av. do Forte. Atualmente ainda existem as ruínas do Forte do Arraial Novo do Bom Jesus. Onde havia uma cacimba (buraco que se cava até atingir um lençol de água subterrâneo; poço) foi criada uma lavanderia comunitária. Após ter sido extinta a lavanderia, a praça passou a realizar torneiros de futebol organizados pelos moradores ou por políticos da região.

Ainda de acordo com a moradora entrevistada, no bairro existe uma agremiação carnavalesca muito famosa, o “Maracatu Cruzeiro do Forte”, fundado em 7 de Setembro de 1929. O maracatu surgiu quando um grupo de amigos, moradores do bairro, foi fazer a limpeza de uma cacimba e ali, decidiram formar o maracatu, relembrando os bons tempos de quando eles moravam na Mata Norte e participavam de maracatus. Essa agremiação já ganhou inúmeros prêmios no carnaval pernambucano.

No bairro, encontra-se um monumento muito importante para a história de Pernambuco e do Brasil, o Forte do Arraial Novo do Bom Jesus. Essa edificação foi erguida a partir de setembro de 1645 por determinação do Mestre-de-Campo João Fernandes Vieira (1602-1681). Foi inaugurado em 1 de Janeiro de 1646. A sua função segundo Garrido (1940, p.68) era a de guardar as munições de guerra das forças de resistência portuguesas que ali se concentravam e de onde saíram para a Primeira Batalha dos Guararapes (19 de Abril de 1648) e para a Segunda Batalha dos Guararapes (19 de Fevereiro de 1649). Invasão Deste Forte foi coordenada a invasão portuguesa a Mauritsstat (a cidade Maurícia – atual Recife). O Forte foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1980.

Atualmente, o Sítio Arqueológico do Forte possui vestígios de uma muralha e de dois baluartes de terra. O local é ocupado por uma praça pública administrada pela Prefeitura do Recife. Todos os anos o 4º BCOM (Batalhão de Comunicações do Exército Brasileiro) vem prestar suas honrarias aos heróis das Batalhas dos Guararapes.

Segundo o escritor Valque Santos, historiador e morador do bairro há 50 anos, em 1987 a comunidade começou a escrever sua história no bairro dos Torrões diante da preocupação por causa da ocupação irregular. Em meio às muitas lutas, passeatas e protestos, os moradores dessa comunidade conquistaram o direito de ficar no local tendo a posse do mesmo ainda no governo de Miguel Arraes. Hoje, Roda de Fogo, mostra-se viva e em crescente expansão, possui um centro comercial, postos de saúde, escolas entre outros estabelecimentos e diversas construções. É como se existisse um bairro dentro do outro.

O bairro Torrões possui um forte comércio, posto de saúde, algumas igrejas e escolas públicas e particulares.

Dentre as Escolas que se destacam no bairro, encontra-se a Escola Municipal Arraial Novo do Bom Jesus. Fundada em 1964, com o nome de Grupo Escolar José Alvarenga, funcionava com o ensino Primário e Educação Integrada (para alunos fora da faixa etária). Anos depois, passou a atender aos jovens e adultos com a modalidade EJA (Educação de jovens e Adultos). No mesmo terreno da escola, funcionava a Escola de Artes e Ofícios 13 de Maio, com ensino profissionalizante. Ambas, faziam parte da Fundação Guararapes. Em 12 de Outubro de 1987 a escola mudou de nome, passando a ser chamada Escola Municipal Arraial Novo do Bom Jesus, em homenagem ao marco histórico do bairro. Hoje, pertence à Prefeitura do Recife e atende tanto ao Ensino Fundamental quanto ao EJA, nos três turnos: manhã, tarde e noite. Muitos alunos dessa Escola são destaques na Robótica, Olimpíadas de Matemática e Língua Portuguesa, entre outros.

No Bairro trafegam alguns transportes coletivos que levam seus moradores aos mais variados destinos, possuindo os seguintes terminais de ônibus:

413 – Avenida do Forte
415 – Sítio das Palmeiras
416 – Roda de Fogo
421 – Torrões
424 – Torrões/Cidade Universitária/San Martin

 

* Este texto faz parte do projeto Interagindo com a História do Seu Bairro, uma parceria da Fundação Joaquim Nabuco com o Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores.

 

 

Recife, 29 de Setembro de 2016.

 

Fontes consultadas

A COMUNIDADE de Roda de Fogo (Blog). Disponível em: http://wikimapia.org/10737117/pt/comunidade-roda-de-fogo. Acesso em: 05 set. 2016.

TORRÃO. In: DICIO: Dicionário Online de Português. Disponível em: https://www.dicio.com.br/torrao/. Acesso em: 05 set. 2016.

GARRIDO, Carlos Miguez. Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940.

MELLO, Gianfrancesco. Meu Bairro...Moro aqui: Torrões. Agenda Cultural, a. 19, n. 208, 8 dez. 2012. Disponível em: http://agendaculturaldorecife.blogspot.com.br/2012/12/meu-bairro-moro-aqui-torroes.html. Acesso em: 05 set. 2016.

MESQUITA, Rui. Aventura no Brasil Holandês. Recife: Engenho Criação, 2006.

SANTOS, Valque. Quatro Poemas de Rua: Torrões, Passado e Presente. Recife: Edições Rascunhos, 2015.

RECIFE. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. São Francisco, EUA: Wikimedia Foundation, [200-?]. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Recife. Acesso em: 05 set. 2016.

VERRI, Gilda Maria Whitaker & Britto, Jomard Munis de (Org). Relendo o Recife de Nassau. Recife: Edições Bagaço, 2003.

 

Como citar este texto

VASCONCELOS, Isabel Cristina de; VIEIRA, Ana Paula; VERARDI, Cláudia Albuquerque. Torrões (Bairro, Recife). In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2016. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/torroes-bairro-recife/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2009)