Imagem card

Theatro da Paz (Belém, PA)

Em 3 de março de 1869, foi assentada a pedra fundamental do Theatro de Nossa Senhora da Paz. O nome é uma referência à expectativa de término da Guerra do Paraguai (1864-1870). Algum tempo depois, foi oficialmente alterado para Theatro da Paz.

Theatro da Paz (Belém, PA)

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 07/04/2022

Por: Júlia Morim - Consultora Fundação Joaquim Nabuco/Unesco - Cientista Social, Mestre em Antropologia

O Theatro da Paz, localizado em Belém, capital do estado do Pará, é uma edificação em estilo neoclássico que segue as normas dos teatros de ópera, buscando condições perfeitas de acústica e visibilidade. Seu tamanho e grandiosidade é fruto da riqueza originada pela exportação do látex na segunda metade do século XIX. O Ciclo da Borracha, como ficou conhecido o período, impulsionou um grande crescimento econômico na região amazônica, fazendo a aristocracia local ansiar por um teatro de grande porte, com capacidade para promover espetáculos do gênero lírico, bastante apreciados à época.

O projeto arquitetônico, encomendado pelo governo, é do engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães e foi inspirado pelo Teatro Scalla de Milão, na Itália. Magalhães, porém, não pôde acompanhar a execução do projeto, que foi assumido pelo engenheiro Antônio Augusto Calandrini de Chermont, o qual realizou diversas alterações na proposta original, modificando toda a fachada e criando aberturas laterais.

Em 3 de março de 1869, foi assentada a pedra fundamental do Theatro de Nossa Senhora da Paz. O nome é uma referência à expectativa de término da Guerra do Paraguai (1864-1870). Algum tempo depois, foi oficialmente alterado para Theatro da Paz.

A construção do edifício aconteceu entre 1869 e 1874. Após diversas dificuldades envolvendo engenheiros, governo e construtores e com custo final bem acima do planejado, o teatro foi inaugurado em 15 de fevereiro de 1878.

A noite de abertura foi prestigiada pela sociedade da alta classe de Belém, enquanto populares observavam a movimentação e a chegada de autoridades em frente ao teatro. Foi apresentada a ópera As Duas Órfãs, de A. D’Ennery, com os artistas da Empresa Vicente.

A presença do teatro na Praça Dom Pedro II impactou nos arredores, valorizando a região e consolidando-a como polo cultural da cidade de Belém. O teatro era um lugar para ver e ser visto — com muitas visitas ilustres, era comum a presença da aristocracia, num desfile de joias e vaidades.

O teatro passou por reformas no período de 1887 a 1890, com o principal objetivo de embelezar o prédio, demanda da sociedade local, além de fazer correções em questões estruturais. É dessa época as pinturas da sala de espetáculo, realizadas pelos artistas Chrispim do Amaral e Domenico de Angelis. Também foi realizada a pintura do teto do foyer, pelo artista Angelis, porém essa pintura foi perdida em um desabamento do teto na década de 30.

Entre os anos de 1904 e 1905, o teatro sofreu uma nova grande reforma, justificada por uma rachadura no frontão. A fachada foi redesenhada e uma das sete colunas foi retirada para manter a paridade das regras clássicas. Tais alterações deram uma feição ainda mais imponente e luxuosa ao edifício.

A essa altura, Belém começava a sofrer com o declínio do Ciclo da Borracha, e os investimentos culturais foram fortemente abalados. As instalações físicas do teatro ficavam cada vez mais precárias. Apesar disso, na década de 1930, o Theatro da Paz sediou apresentações importantes, com atrações como a bailarina russa Ana Pavlova e a cantora lírica Bidu Sayão.

Na década de 1960, o teatro passou por várias reformas, inclusive com a realização de uma nova pintura do teto do foyer, com temática amazônica, pelo artista Armando Balloni. Em 1963, o teatro foi tombado pelo serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan). Desde então, passou por algumas obras de manutenção e modernização.

Atualmente, o teatro é o maior da Região Norte e um dos mais luxuosos do País. No hall de entrada, encontram-se bustos em mármore de carrara dos escritores brasileiros José de Alencar e Gonçalves Dias, e paredes e teto pintados representando as artes gregas. A sala de espetáculo, em forma de ferradura, conta com capacidade para novecentos lugares (originalmente eram um mil e cem). As cadeiras são de madeira e palhinha, adequadas ao clima da região. O Salão Nobre (Foyer) é decorado com espelhos e lustres em cristal francês e bustos em mármore de carrara dos compositores Carlos Gomes e Henrique Gurjão.

Em 1996, numa iniciativa da Secretaria Executiva de Cultura do Pará, com a parceria da Fundação Carlos Gomes, surgiu a primeira orquestra da história do teatro: a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP). A orquestra é conduzida atualmente pelo maestro paraense Miguel Campos Neto.

 

Recife, 20 de maio de 2014.

 

Fontes consultadas

SOUZA, Roseana Silveira de. O Theatro da Paz e sua história. In: Theatro da Paz, 15 out. 2008. Disponível em: http://web.archive.org/web/20081015203521/http://www.theatrodapaz.pa.gov.br/historico3.htm. Acesso em: 25 maio 2014.

SOUZA, Roseana Silveira de. Teatro da Paz: histórias invisíveis em Belém do Grão-Pará. Anais do Museu Paulista, São Paulo, N. Sér., v. 18, n. 2, p. 93-121, jul./dez. 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/anaismp/v18n2/v18n2a03. Acesso em: 20 maio 2014.

THEATRO da Paz. Disponível em: http://www.theatrodapaz.com.br. Acesso em: 20 maio 2014.  

 

Como citar este texto

MORIM, Júlia. Theatro da Paz. In: PESQUISA Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2014. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/theatro-da-paz/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)