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Glauber Rocha

Data Nasc.:
14/03/1939

Ocupação:
Cineasta, Escritor, Ator 

 

Glauber Rocha

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 28/04/2021

Por: Maria do Carmo Gomes de Andrade - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Biblioteconomia

Glauber de Andrade Rocha, cineasta brasileiro, um dos líderes do Cinema Novo, do movimento vanguardista, foi o responsável por uma grande renovação do cinema brasileiro, na década de 1960. Um dos mais polêmicos criadores do cinema nacional, tanto pela originalidade de suas obras, como por suas declarações à imprensa.

Nasceu no dia 14 de março de 1939, em Vitória da Conquista, Bahia. Primeiro filho de Adamastor Bráulio da Silva Rocha e Lúcia Mendes de Andrade Rocha. O nome Glauber, dado pela mãe, foi inspirado no cientista alemão Johann Rudolf Glauber (1603-1668), que descobriu o sulfato de sódio ou sal de Glauber.

Foi batizado na Igreja Presbiteriana, teve três irmãs, Ana Marcelina de Andrade Rocha (1940-1952), Anecy (1942) e Ana Lúcia (1952), a mais nova, que seria sua confidente por toda vida. Aos sete anos de idade, já alfabetizado pela mãe, Glauber é matriculado num colégio católico em Vitória da Conquista, para cursar o primário, hoje ensino fundamental.

Glauber costumava acompanhar o pai, que era comerciante e foi também construtor de estradas de ferro e de rodagem, nas viagens que fazia pelo sertão da Bahia. E foi em decorrência do trabalho do pai, que em agosto de 1947, afamília mudou-se para Salvador.

Em Salvador, Glauber passa a freqüentar o Colégio Presbiteriano Dois de Julho. Já aos nove anos, escreve em espanhol, a peça El Hijito de Oro, que é encenada no colégio pelo professor de francês Josué de Castro. O papel masculino principal é interpretado pelo próprio Glauber.

Por esse tempo, seu pai abre no centro da cidade a loja, O Adamastor. Engenheiro de estradas de rodagem, sofre um acidente que deixa graves seqüelas, o que faz com que sua mãe, aos 29 anos, assumisse os negócios e a chefia da família.

Foi em Salvador que Glauber iniciou seus trabalhos como crítico de cinema e documentarista. Começou sua carreira de diretor, com os curtas-metragens O pátio, 1959 e Uma cruz na praça, 1960. Tornou-se famoso a partir de 1962, quando realizou seu primeiro longa-metragem, Barravento, premiado no Festival de Karlovy Vary, na antiga Tchecoslováquia.

Em 1963, editou o livro Revisão crítica do cinema brasileiro, uma coletânea de artigos de sua autoria, publicados na imprensa de Salvador. Mas foi com Deus e o diabo na terra do sol, 1964, filme premiado na Itália e no México, que Glauber se consagrou como um dos mais importantes nomes do cinema novo. Um filme considerado a um só tempo, fantástico e político que reinventa a literatura de cordel.

Terra em transe, em 1967, foi considerado pela crítica, como sua obra-prima. Recebeu o Prêmio Internacional da crítica no Festival de Cannes. Com O dragão da maldade contra o santo guerreiro em 1969, recebeu o prêmio de melhor diretor.

Para os críticos fica evidente que a intenção de Glauber, em todos esses filmes, era fazer valer uma linguagem descontínua, não linear, que ele julgava exprimir mais sua visão histórica brasileira. Recusava assim a estrutura simétrica da linguagem hollywoodiana, que considerava colonizadora e alienante.

Em 1970, dirigiu Der Leon hás sept cabezas, filmado no Zaire, atual República Democrática do Congo, e Cabezas cortadas, filmado na Espanha e, somente em 1979, liberado pela censura do Brasil, onde não obteve sucesso de público.

Realizou ainda os curtas-metragens: Maranhão e Amazonas, Amazonas, 1966; Câncer, 1972; Brasil 68 (1974, inacabado); História do Brasil, 1974; Claro, 1975 e entre 1971 e 1974 realizou Leiticia; Mossa no Marrocos; Super Paloma e Viagem com Juliet Berto.

Realizou também o documentário Di Cavalcanti, 1977, publicou o romance Riverão Suassuna, 1978 e dirigiu seu último longa metragem, A Idade da Terra, 1980, outro fracasso comercial.

Glauber Rocha morreu na cidade do Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 1981.

 
 
 
Recife, 31 de maio de 2007.
 
 

Fontes consultadas

BENTES, Ivana. Cartas ao mundo Glauber Rocha. Acervo Tempo Glauber. Disponível em: <http://www.tempoglauber.com.br/glauber/Biografia/vida.htm>. Acesso em: 21 maio 2007.

ENCICLOPÉDIA Mirador Internacional. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1995.

GRANDE Enciclopédia Barsa. 3. ed. São Paulo: Barsa Planeta Internacional, 2005.

GLAUBER Rocha [Foto neste texto]. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, ano 40, n. 27, p. 96-97, 6 jul. 1968.
 

Como citar este texto

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Glauber Rocha. In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2007. Disponível em: <https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/glauber-rocha/>. Acesso em: dia  mês ano. (Ex: 6 ago. 2009.)