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Casa da Pólvora e Armamentos (João Pessoa, PB)

Casas de pólvora eram depósitos de armas e munições, no Brasil seiscentista e setecentista, essas casas eram construídas com a finalidade de armazenar munições e armamentos para serem usados nas lutas contra invasores e em defesa dos territórios. A construção da Casa da Pólvora e Armamentos da Ladeira de São Francisco foi determinada por ordem de Carta Régia de 18 de agosto de 1704, durante a gestão do então Capitão-Mor Fernão de Barros Vasconcelos.

Casa da Pólvora e Armamentos (João Pessoa, PB)

Artigo disponível em: ESP

Última atualização: 30/08/2021

Por: Maria do Carmo Gomes de Andrade - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Biblioteconomia

Casas de pólvora eram depósitos de armas e munições. Sabe-se que a pólvora (mistura inflamável e explosiva, composta de enxofre, carvão e salitre) era o único explosivo empregado nas cargas dos canhões e das carabinas. Por isso, era necessária a estocagem de grande quantidade desse material com propósitos bélicos. No Brasil seiscentista e setecentista, essas casas eram construídas com a finalidade de armazenar munições e armamentos para serem usados nas lutas contra invasores e em defesa dos territórios.

Em João Pessoa, terceira capital de estado mais antiga do Brasil, fundada em 1585 com o nome de Nossa Senhora das Neves, havia pelo menos três dessas casas, uma na Rua Nova, atual General Osório; outra no Passeio Geral, na Rua Rodrigues Chaves; e a da Ladeira de São Francisco. As duas primeiras foram completamente destruídas pela ação do tempo, restando apenas a da Ladeira de São Francisco.

A construção da Casa da Pólvora e Armamentos da Ladeira de São Francisco foi determinada por ordem de Carta Régia de 18 de agosto de 1704, durante a gestão do então Capitão-Mor Fernão de Barros Vasconcelos, em substituição a anterior que ficava muito próxima ao povoado, incorrendo em perigo para a população. A construção, segundo as fontes históricas, parece ter sofrido interrupções sendo concluída somente em 1710, já na administração do Capitão-Mor João da Maia da Gama. Foi edificada num local estratégico para servir também como posto de observação do Porto Capim (nome popular dado ao Porto do Varadouro, principal porto de João Pessoa anterior à existência do Porto de Cabedelo) e do rio da Várzea paraibana.

A Carta Régia, entre outras recomendações, dizia que um engenheiro viria de Portugal para escolher o local e fazer a planta da casa da pólvora. Segundo o Cônego Barbosa, as repetidas recomendações e os auxílios financeiros extraordinários destinados à construção contidos na Carta, davam a entender que o governo de Lisboa temia possíveis ataques a Paraíba por parte da França e Espanha, pois os franceses conheciam o território paraibano e tinham boas relações com os índios da região.

Segundo os estudiosos no assunto, a autenticidade da casa da pólvora da Ladeira de São Francisco é comprovada através do material usado em sua construção, como os blocos de pedras calcárias de formatos irregulares que costumeiramente eram usados para construir os edifícios na localidade e a semelhança com outras construções da época, especialmente com os conventos de São Francisco, o de São Bento e o do Carmo. Tais blocos eram colados com argamassa de barro e cal, fabricada a partir das mesmas pedras, como pode ser observado ainda hoje na Casa da Pólvora e nas outras edificações já citadas.

O teto da Casa da Pólvora é de formato abobadado feito de tijolos de alvenaria ligados por cimento para dar-lhe mais firmeza e sustentação. A fachada principal está voltada para o poente. O edifício mede cerca de dezenove por seis metros de comprimento na parte externa. As duas esquinas do norte e sul, correspondentes a frontaria principal, são formadas de pedras bem talhadas. Os portais da única porta que existe na frente da casa, foram entalhados com especial cuidado.

Acima da porta vê-se uma coroa do reino de Portugal e abaixo desta uma lápide quadrangular com a seguinte legenda: Reinando em Portugal o muito alto e poderoso Senhor Nosso D. João V governando esta Capitania João da Maia da Gama se fez este armazém. Ano de 1710. Finalmente, pode-se dizer que a edificação de estrutura relativamente simples cumpriu seu papel durante os tempos de lutas e invasões.

A histórica Casa da Pólvora de João Pessoa tornou-se um dos pontos turísticos da cidade. A capital Paraibana é conhecida como Porta do Sol, por estar localizada na Ponta Seixas, ponto mais oriental das Américas. A Casa de Pólvora foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 24 de maio de 1938, e hoje funciona como sede do Museu Fotográfico Walfrido Rodriguez, guardando importante acervo fotográfico da cidade.

 

Recife, 26 de março de 2012.

 

Fontes consultadas

BARBOSA,  Florentino. A Casa da Pólvora. Educação e Cultura, João Pessoa, ano 3, n. 10, p. 61-66,  jul./ago./set. 1983.

CASA da Pólvora. Disponível em:< http://.brasilviagem.com/pontur/?codart=2773>. Acesso em: 14 mar. 2012.

CASA da Pólvora. Disponível em:< www.de.ufpb.br/~ronai/João Pessoa/ polvora.htm>.  Acesso em: 13 mar. 2012.
 

Como citar este texto

ANDRADE, Maria do Carmo. Casa da Pólvora e Armamentos (João Pessoa, PB). In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2012. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/casa-da-polvora-e-armamanetos-joao-pessoa-pb/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)