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Xilogravura

Gravura talhada em madeira, de onde se obtém ilustrações populares, muito utilizada a partir do século XIX nas capas de folhetos da literatura de cordel.

Xilogravura

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 09/06/2022

Por: Lúcia Gaspar - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Documentação Científica

Gravura talhada em madeira, de onde se obtém ilustrações populares, muito utilizada a partir do século XIX nas capas de folhetos da literatura de cordel.

 

Era também usada para impressão de rótulos de garrafas, de cachaça e de outros produtos.

 

Apesar de permanecerem pouco conhecidas as suas origens, acredita-se que a xilogravura popular nordestina tenha sido trazida por missionários portugueses que ensinaram a técnica aos índios.

 

As matrizes para impressão das ilustrações são talhadas, quase sempre, na madeira da cajazeira (árvore da família das Anacardiáceas - Spondias lutea L.), matéria-prima mole, fácil de ser trabalhada e abundante na região Nordeste do Brasil.

 

Os xilogravuristas utilizam apenas um canivete ou faca doméstica bem amolados.

 

Entre os gravadores populares mais conhecidos que deram a sua contribuição para a xilogravura nordestina estão Manoel Serafim, Inocêncio da Costa Nick, o Mestre Noza, Zé Caboclo, Enéias Tavares Santos, J. Borges, entre outros.

 

Alguns poetas populares também se dedicaram a preparar as matrizes de madeira para ilustrar seus próprios folhetos como: José Martins dos Santos, Manoel Apolinário, Cirilo, Dila, Damásio Paulo Valderedo, José Costa Leite. Este último usava sua quicé oucaxirenguengue, faca velha, imprestável e/ou sem cabo para talhar suas xilogravuras.

 

Nas décadas de 1960 e 1970 alguns intelectuais e pesquisadores passaram a publicar uma série de álbuns com gravuras feitas por artistas populares nordestinos. Com isso a xilogravura ganhou o status de arte, além de projeção nacional e internacional. Entre esses álbuns podem ser citados: 20 xilogravuras do Nordeste, organizado por Evandro Rabello, em 1970, com apresentação de Ariano Suassuna; Transporte na zona canavieira: vinte e uma xilogravuras de José Costa Leite, publicado pelo Instituto do Açúcar e do Álcool, 1972, com apresentação de Mário Souto Maior; Xilografia: poema de Marcus Accioly gravada por José Costa Leite (1974); Enéias Tavares Santos: xilogravura popular, (1976).

 

 

Recife, 3 de julho de 2003.

 

Fontes consultadas

PONTUAL, Roberto. Notas sobre a xilogravura popular brasileira. In: FOLKCOMUNICAÇÃO. São Paulo: USP, 1971.

 

TRANSPORTES na zona canavieira: vinte e uma xilogravuras de José Costa Leite. Rio de Janeiro: IAA; Divisão de Administração Serviço de Documentação, 1972.

 

XILOGRAVURA. Arte e cultura. Disponível em: http:www.pe-az.com.br/arte_cultura/xilogravura.htm. Acesso em: 14 maio 2002.

 

Como citar este texto

GASPAR, Lúcia. Xilogravura. In: PESQUISA Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2003. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/xilogravura/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2009.)