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Parque 13 de Maio (Recife, PE)

O Parque 13 de Maio e a Faculdade de Direito foram declarados sítios de preservação histórica.

Parque 13 de Maio (Recife, PE)

Artigo disponível em: ENG

Última atualização: 13/05/2021

Por: Semira Adler Vainsencher - Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco - Mestre em Psicologia

Os primeiros parques públicos no Brasil receberam a influência dos paisagistas europeus. Eles se espelhavam nos modelos dos belos jardins franceses e ingleses, que buscavam valorizar a flora regional e garantir uma qualidade de vida melhor às pessoas.

Durante o período de ocupação holandesa em Pernambuco (1630-1654), o Conde Maurício de Nassau mandou construir um jardim renascentista, no Recife, com cerca de 6 hectares - o Parque do Palácio de Friburgo - que foi o primeiro no País, e continha várias espécies de animais, bem como um jardim botânico com plantas exóticas. Esse parque ficava localizado na atual Praça da República, no espaço onde foi construído o Teatro Santa Isabel.

Até 1880, época em que a camboa do Riachuelo foi aterrada, no bairro da Boa Vista, as terras que hoje fazem parte do Parque 13 Maio pertenciam à Ilha do Rato, um acidente geográfico flúvio-marinho de contornos incertos. No lado sul da ilha, manguezais e alagados jaziam inaproveitados. Esse terreno, portanto, era considerado o Passeio Público 13 de Maio.

Em 1860, o engenheiro inglês William Martineau elaborou o primeiro projeto para a construção de um parque. Nele, estava incluído o espaço do jardim da Faculdade de Direito do Recife e as terras que vão de lá até a Ponte Princesa Isabel. O projeto adotava um estilo geométrico, dividindo a área do parque em quatro jardins repletos de vegetação, com pátios, canteiros e fontes. Ali, observa-se uma variada vegetação contendo árvores, ervas tropicais e arbustos. No parque foram plantados dendezeiros, palmeiras imperiais, palmeiras-leque, paus-brasil,flamboyants, acácias, fícus-benjamim, paus-d’arco, além de árvores frutíferas tais como jaqueiras, mangueiras, sapotizeiros, jambeiros, abacateiros e tantas outras.

Em seus postes de iluminação, vêem-se quimeras mitológicas: figuras com cabeça e busto de mulher, asas de águia e corpo de leão. Existem, ainda, equipamentos recreativos para crianças e adolescentes, tais como balanços e escorregos.

Na década de 1940, lá foi construído um restaurante tradicional - o Torre de Londres - que tinha o formato de uma torre e cuja cozinha era considerada como de boa qualidade. Esse restaurante foi posteriormente desativado. E, na década de 1950, uma quarta parte da área do parque foi utilizada para a edificação da Biblioteca Pública de Pernambuco, como ainda de quatro escolas públicas.

Na entrada do Parque, pode-se ler uma placa com os seguintes dizeres: 

Este parque, cujo primeiro projeto data de 1865, foi construído em 1939, no governo de Agamenon Magalhães, pelo prefeito Novais Filho, para as solenidades do III Congresso Eucarístico Nacional.

Além disso, é possível se observar o busto de Joaquim José de Faria Neves Sobrinho (1872-1927), um dos fundadores da Academia Pernambucana de Letras, com uma placa em seu pedestal onde se lê:

Homenagem do povo de Pernambuco ao poeta Faria Neves Sobrinho. Erigido na administração Barbosa Lima Sobrinho. 1951. 

Criados em bronze pelo artista Bibiano Silva, encontram-se também os bustos de Dantas Barreto (com um pedestal de pedra e uma espada colocada na vertical), e do historiador Francisco Augusto Pereira da Costa.

Em 1973 e 1976, ali foram empreendidas algumas reformas. Além de um mini zoológico, o Parque 13 de Maio recebeu duas esculturas em concreto, feitas por Abelardo da Hora: o vendedor de caldo-de-cana, e dois sertanejos nordestinos, sentados, tocando violão. E, nos anos 1980, por questão de segurança dos usuários e como medida de proteção contra o vandalismo que o Parque 13 de Maio vinha sofrendo, o local foi todo cercado por grades de ferro.

Cabe registrar por fim que, segundo a legislação municipal de 1979, o Parque 13 de Maio e a Faculdade de Direito foram declarados sítios de preservação histórica.

 

 

Recife, 24 de março de 2020.

 

Fontes consultadas

FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1977.

RIBEIRO, Ana Rita Sá Carneiro. O projeto paisagístico, as funções e o uso dos parques urbanos – o Parque 13 de Maio. CLIO Revista do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco, Recife, n. 18, p. 17-25, 1998.

ROCHA, Tadeu. Roteiros do Recife: Olinda e Guararapes. 3. ed. Recife: Gráfica Ipanema, 1967.

 

Como citar este texto

VAINSENCHER, Semira Adler. Parque 13 de Maio (Recife, PE). In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2020. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/parque-13-de-maio-recife/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2021.)