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Padre Carapuceiro (Padre Miguel do Sacramento Lopes Gama)

Data Nasc.:
29/09/1793

Data de falecimento.:
09/12/1852

Ocupação:
Religioso, padre e politico

Padre Carapuceiro (Padre Miguel do Sacramento Lopes Gama)

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 25/08/2021

Por: Lúcia Gaspar - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Documentação Científica

O padre Miguel do Sacramento Lopes Gama, conhecido como o Padre Carapuceiro, nasceu no Recife, no dia 29 de setembro de 1793, filho de João Lopes Cardoso Machado e Anna Bernarda do Sacramento Lopes Gama.

 

Diversos autores citam 1791, como sendo o ano do seu nascimento, porém o próprio Lopes Gama afirmou ao Diario de Pernambuco, no dia 6 de maio de 1843, ter nascido em 1793.

 

Dedicou-se a vida religiosa, entrando para o Mosteiro de São Bento, em Olinda, em 1805. Seguiu depois para continuar seu noviciado no Mosteiro de São Bento da Bahia, onde foi ordenado. Logo após a sua ordenação, retornou a Pernambuco e recolheu-se ao Mosteiro de São Bento.

 

Em 1817, foi nomeado pelo então governador de Pernambuco, Luiz do Rego Barreto, professor titular de retórica do Seminário de Olinda, disciplina que também lecionou no Colégio das Artes, até ser jubilado (aposentado com honras) em 1839.

 

Em 1823, foi nomeado redator do Diário do Governo e, em 1824, diretor da Tipografia Nacional. Fundou e foi o único redator d`O Carapuceiro (1832),um jornal de crítica social, que teve muita repercussão na sociedade da época. Também publicou no Rio de Janeiro, o jornal O Carapuceiro na Corte. Entre 1829 e 1831, colaborou com o jornal O Constitucional, onde defendeu a monarquia constitucional representativa.

 

Exerceu diversas atividades na área do ensino, entre as quais a de vice-diretor do Curso Jurídico de Olinda; professor de eloqüência nacional, literatura, retórica e diretor do Liceu do Recife, depois transformado no Ginásio Pernambucano; diretor do Colégio dos Órfãos e visitador das aulas primárias e secundárias do Recife.

 

Traduziu e publicou vários trabalhos:

 

Memória sobre quais são os meios de fundar a moral de um povo, Conde de Destutt de Tracy (tradução, Recife, 1831).

A Coluneida: poema herói-cômico em quatro cantos (Recife, 1832).

Refutação completa da pestilencial doutrina do interesse, propalada por Hobbes, Hobac, Helvécio, Diderot, J. Bentham, e outros filósofos sensualistas e materialistas, ou introdução aos princípios do Direito Político de Honório Torombert (tradução, Recife, 1837).

Princípios gerais de economia pública e industrial, em forma de conversações, por P. GH. Suzanne (tradução, Recife, 1837).

A religião cristã demonstrada pela conversão e apostolado de S. Paulo, por Lytelton (tradução, Recife, 1839).

Novo curso de filosofia redigido segundo o novo programa para bacharel em letras, de E. Geruzez (tradução, Recife, 1840, 2.ed.).

Observações críticas sobre o romance do senhor Eugenio Sue, o Judeu errante (Recife, 1850).

Uma lição acadêmica sobre a pena de morte, Carmignani (tradução, Recife, 1850).

Lições de eloqüência nacional (Rio de Janeiro, 1946, 2.v.; Recife, 1951, 2.ed.).

Dos deveres dos homens. Discurso dirigido a um mancebo, de Silvio Pellico (tradução, Recife, 1852).

Seleta clássica para leitura e análise gramatical nas escolas de instrução elementar, e para análise oratória e poética nas aulas de retórica (tradução, Recife, 1866).

 

Além de único redator d`O Carapuceiro, foi colaborador do Diario de Pernambuco e do Marmota Fluminense, do Rio de Janeiro (1852), onde assinou uma série de artigos sob o título O filósofo provinciano na corte a seu compadre na província, tratando sobre os usos e costumes cariocas, além de literatura e de teatro. Publicou, ainda, no mesmo jornal, sob o pseudônimo de O Solitário, diversas poesias e um artigo sob o título A mulher e o seu caráter.

 

Foi deputado pela Assembléia Provincial de Pernambuco na legislatura de1835 a 1837 e, em 1852, eleito representante da província de Alagoas para o parlamento nacional (Câmara dos Deputados).

 

Cônego e pregador da Capela Imperial recebeu também a comenda da Ordem de Cristo. Em 1839, ao secularizar-se deixou o hábito religioso beneditino.

 

Miguel da Sacramento Lopes Gama, o Padre Carapuceiro, morreu no dia 9 de dezembro de 1852, sendo sepultado no Cemitério Público da cidade do Recife.

 

 

Recife, 23 de abril de 2008.

 

Fontes consultadas

COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Diccionario biographico de pernambucanos celebres. Recife: Typographia Universal, 1882. p. 723-727.

 

GAMA, Miguel do Sacramento Lopes. O Carapuceiro, 1932-1842. Prefácio de Leonardo Dantas Silva; estudo introdutório de Luiz do Nascimento. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1883. Edição fac-similar.

 

MELLO, José Antônio Gonsalves de. O padre Lopes Gama e o Diario de Pernambuco 1840-1845. In: SILVA, Leonardo Dantas (Org.). O Carapuceiro. Recife: Massangana, 1996. p. 7-93. 187 p. (Obras de consulta, 17).

 

Como citar este texto

GASPAR, Lúcia. Padre Carapuceiro (Padre Miguel do Sacramento Lopes Gama). In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2008. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/padre-carapuceiro/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2009.)