A ampla e sofisticada produção artística dos antigos marajoaras é composta de peças que representam animais, chamadas de zoomorfas, e humanos/animais, antropozoomorfas, cromáticas ou acromáticas. “De modo geral, a cerâmica marajoara apresenta padrões decorativos com desenhos labirínticos e repetitivos, traços gráficos simétricos, em baixo ou alto-relevo, além de entalhes e aplicações”. (ARTE MARAJOARA, 2006). Os desenhos representam partes do corpo ou o animal inteiro, como tartarugas, cobras, jacarés e escorpiões. A variação de estilos demonstra que vários grupos diferentes compunham essa sociedade marajoara.
A arte marajoara pré-colombiana vem sendo ressignificada e apropriada na atualidade como símbolo de identidade do Marajó e do Pará. A arte marajoara contemporânea difere da antiga, pois não carrega o significado simbólico desta. Além disso,
Os motivos decorativos utilizados são copiados de livros e revistas, as formas são reinventadas. Hoje em dia, os artesãos misturam grafismos rupestres com os da cerâmica, em novas formas, muitas vezes utilitárias. Alguns vasos apresentam motivos marajoaras ao lado de paisagens e representações contemporâneas de pássaros e outros animais, inexistentes na cerâmica arqueológica. Apesar disso, a cerâmica é vendida como marajoara, na explícita intenção de dar-lhe uma profundidade temporal e, com isso, agregar-lhe valor, negociando sua antigüidade como algo valioso. (SCHAAN, 2007, p. 113).
Em Belém, o Museu Paraense Emílio Goeldi detém um acervo, denominado de Coleção Marajoara - tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional –, composto por mais de duas mil peças arqueológicas de cerâmica de grupos indígenas que habitaram a região do Marajó desde 500 AD. Foi lá que, em uma visita, Mestre Cardoso conheceu as formas, desenhos e grafismos que passou a inspirar em seu trabalho. Assim, historicamente produtor de cerâmica, o distrito de Icoaraci, onde mora o Mestre Cardoso, passou, na década de 1970, a ser um centro difusor de réplicas das obras marajoaras. Ao longo dos anos, a inserção de outros desenhos e formas compõe um híbrido que é conhecido como cerâmica de Icoaraci.
Recife, 24 de maio de 2014.
Fontes consultadas
AMORIM, Lilian Bayma. Cerâmica marajoara: a comunicação do silêncio. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 2010. Disponível em:
<http://www.museu-goeldi.br/portal/sites/default/files/Downloads/Cat%C3%
A1logo%20Cer%C3%A2mica%20Marajoara.pdf>. Acesso em: 24 maio 2014.
ARTE Marajoara. Foto nesse texto. Disponível em: <http://www.hak.com.br/artesanato/ceramica-marajoara-a-riqueza-do-artesanato-da-regiao-norte-do-brasil/>. Acesso em: 2 ago. 2016.
ARTE Marajoara/Cerâmica Marajoara. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural Arte Visuais. 2006. Disponível em:
<http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?
fuseaction=termos_texto&cd_verbete=5353>. Acesso em: 24 maio 2014.
ICOARACI Polo de Artesanato da Amazônia. Cerâmica Icoaraci. Disponível em:
<http://www.icoaraci.com.br/ceramica_icoaraci.htm>. Acesso em: 24 maio 2014.
SCHAAN, Denise Pahl. A arte da cerâmica marajoara: encontros entre o passado e o presente. Habitus, Goiânia, v. 5, n. 1, p. 99-117, jan./jun. 2007. Disponível em: <http://seer.ucg.br/index.php/habitus/article/viewFile/380/316>. Acesso em: 24 maio 2014.
Como citar este texto
MORIM, Júlia. Arte Marajoara. In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2014. Disponível em:https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/arte-marajoara/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)


