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Álvaro Lins

Data Nasc.:
14/12/1912

Ocupação:
Advogado, Jornalista, Professor, Crítico literário

Formação:
Direito

Álvaro Lins

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 10/08/2020

Por: Lúcia Gaspar - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

Álvaro Lins – um intelectual exemplar,
pelo valor literário e pela dignidade do
comportamento político.


Cláudio de Araújo Lima


Álvaro de Barros Lins, filho de Pedro Alexandrino Lins e de Francisca de Barros Lins, nasceu em Caruaru, Pernambuco, no dia 14 de dezembro de 1912.

Cursou o primário na sua cidade natal e o secundário no Recife, no Colégio Salesiano e no Ginásio Padre Felix. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Recife em 1931, bacharelando-se em 1935.

Aos vinte anos, numa conferência como representante do Diretório de Estudantes, na solenidade de abertura do ano letivo da Faculdade, produziu o seu primeiro trabalho cultural, intitulado A universidade como escola de homens públicos. Foi professor de Geografia Geral e de História da Civilização no Ginásio do Recife, no Colégio Nóbrega, no Instituto Nossa Senhora do Carmo e na Escola Normal Pinto Júnior, no período de 1932 a 1940.

Em outubro de 1934, convidado pelo interventor e depois governado de Pernambuco Carlos de Lima Cavalcanti, tornou-se Secretário do Governo Estadual. Integrou, em 1936, a chapa do Partido Social Democrático (PSD) de Pernambuco, para disputar uma cadeira à Câmara dos Deputados. Entretanto, o golpe de 1937, que instaurou o Estado Novo, suspendeu as eleições. Álvaro Lins deixou a Secretaria de Governo em novembro de 1937 e abandonou seus planos políticos.

Dedicou-se, então, ao jornalismo, atuando como redator e diretor doDiário da Manhã, no Recife (1937-1940). Escreveu o seu primeiro livro aos 25 anos: História literária de Eça de Queiroz, lançado em 1939 com apresentação escrita por Osório Borba.

Nos anos de 1939 e 1940 foi colaborador do Suplemento Literário do Diário de Notícias e dos Diários Associados. Transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1940, trabalhando como crítico literário, diretor do Suplemento Literário, redator-principal e dirigente político do Correio da Manhã, de 1940 a 1956. Recebeu convite do Ministério das Relações Exteriores para escrever uma biografia do Barão do Rio Branco, incluindo um estudo diplomático e o quadro histórico da época (1940). Em novembro de 1941, assumiu o cargo de professor catedrático (interino) no Colégio Pedro II, passando a professor catedrático de literatura efetivo e vitalício, a partir de dezembro de 1951, graças ao 1º lugar obtido em concurso de provas e títulos.

Foi Delegado Governamental, Secretário e Vice-Presidente da Unesco no Brasil, no período de 1946 a 1952, e professor da cadeira de Estudos Brasileiros na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Lisboa, em missão oficial do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (1952 a 1954).

Em agosto de 1954, Álvaro Lins retornou ao Brasil, reassumindo as atividades jornalísticas e a cátedra de literatura no Colégio Pedro II. Com a morte de Edgar Roquette-Pinto, foi eleito por unanimidade, em 1955, para ocupar a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Convidado pelo presidente Juscelino Kubitscheck, chefiou a Casa Civil da Presidência da República, de janeiro a novembro de 1956, deixando o cargo para assumir a embaixada do Brasil em Portugal. Neste mesmo ano, recebeu a maior condecoração brasileira: a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito. Em 1957, obteve a mais alta condecoração portuguesa, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, e foi eleito membro da Academia das Ciências de Lisboa.

As posições de Álvaro Lins, contudo, conflitavam com a ditadura salazarista e o colonialismo por ela sustentado. Discordando de algumas decisões adotadas pelo governo brasileiro, rompeu com o presidente Juscelino, acusando a política governamental de cumplicidade com ditaduras, especialmente as de Portugal, do Paraguai e da República Dominicana. Em 1959, foi exonerado da embaixada em Portugal, devolvendo ao governo português a condecoração recebida.

Na sua volta ao Brasil, retomou a sua cátedra de literatura. Presidiu a 1ª Conferência Inter-Americana da Anistia para os Exilados e Presos Políticos da Espanha e de Portugal, realizada na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1960. Neste ano, ganhou o Prêmio Jabuti – A Personalidade do Ano, da Câmara Brasileira do Livro, pela obra Missão em Portugal, que relatava a sua experiência na embaixada em Lisboa.

A partir de 1961 e até 1964, dirigiu o Suplemento Literário do Diário deNotícias. Em 1962, chefiou a Delegação Brasileira ao Congresso Mundial da Paz, realizado em Moscou. Nos últimos anos de sua vida, dedicou-se a escrever livros.

Álvaro Lins recebeu, ainda, o Prêmio Centenário de Antero de Quental, pelo seu ensaio Poesia e personalidade de Antero de Quental (1942); os prêmios Felipe de Oliveira, da Sociedade Felipe de Oliveira, e Pandiá Calógeras, da Associação Brasileira de Escritores, pela obra Rio Branco (1945); e o Prêmio Luíza Cláudio de Souza, pela obras Os mortos de sobrecasaca e Jornal de crítica - Sétima série (1963).

Teve publicadas, entre outras, as seguintes obras:

A universidade como escola de homens públicos (1933)
História literária de Eça de Queiroz (1939)
Alguns aspectos da decadência do Império (1939)
Jornal de crítica: primeira série (1941)
Poesia e personalidade de Antero de Quental (1942)
Jornal de crítica:segunda série (1943)
Notas de um diário de crítica – Primeiro volume (1943)
Palestra sobre José Veríssimo (1943)
Jornal de crítica:terceira série (1944)
Rio Branco (O Barão do Rio Branco: 1845-1912) (1945)
Jornal de crítica: quarta série (1946)
No mundo do romance policial (1947)
Jornal de crítica: quinta série (1947)
Jornal de crítica: sexta série (1951)
A técnica do romance em Marcel Proust (1951)
Roteiro literário do Brasil e de Portugal:antologia da língua portuguesa(1956)
Discurso sobre Camões e Portugal (Ensaio histórico-literário) (1956)
Discurso de posse na Academia (Estudo sobre Roquette-Pinto) (1956)
Missão em Portugal:diário de uma experiência diplomática - I (1960)
A glória de César e o punhal de Brutus (1962)
Os mortos de sobrecasaca (1963)
O relógio e o quadrante (1963)
Girassol em vermelho e azul (1963)
Dionísios nos trópicos (1963)
Jornal de crítica: sétima série (1963)
Jornal de crítica: oitava série (1963)
Notas de um diário de crítica – Segundo volume (1963)
Literatura e vida literária (1963)
Sagas literárias e teatro moderno no Brasil (1967)
Filosofia, história e crítica na literatura brasileira (1967)
Poesia moderna no Brasil (1967)
O romance brasileiro (1967)
Teoria literária (1967)

Álvaro Lins foi casado com Heloísa Ramos Lins, com quem teve dois filhos. Em 4 de junho de 1970, faleceu no Rio de Janeiro.

 


Recife, 24 de maio de 2005.
(Atualizado em 20 de agosto de 2009).

Fontes consultadas

ÁLVARO Lins. Disponível em: <http://www.cpdoc.fgv.br/nav_jk/htm/biografias/AlvaroLins.asp>. Acesso em: 29 abr. 2005.

________. Disponível em: <http://www.academia.org.br/imortais/cads/17/alvaro.htm>. Acesso em: 28 abr. 2005.

LINS, Álvaro. Literatura e vida literária: notas de um Diário de crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1963. Orelha.

Como citar este texto

Fonte: GASPAR, Lúcia. Álvaro Lins. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.