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Silvio Romero

Data Nasc.:
21/04/1851
Data de falecimento.:
18/07/1914
Ocupação:
Crítico literário, Professor, Filósofo.
Formação:
Ciências jurídicas

Silvio Romero

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 29/04/2021

Por: Virgina Barbosa - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Biblioteconomia e História

[...] continuai, continuai, poetas e romancistas, estudai os costumes provincianos; reproduzi nos vossos cantos e nas vossas novelas o bom sentir do povo, quer do norte quer do sul; marcai as diferenças e os laços existentes entre essas gentes irmãs, que são o braço e o coração do Brasil (Silvio Romero, em História da literatura brasileira). 

O folclorista, crítico literário, professor, filósofo e pensador político Silvio Romero, filho de André Ramos Romero, e Maria Vasconcelos da Silveira Ramos, nasceu no dia 21 de abril de 1851, na vila sertaneja de Lagarto, da província de Sergipe. Desde a sua infância até os vinte e dois anos, quando bacharelou-se, ele assinava Silvio Vasconcelos da Silveira Ramos. "Para abreviar o nome", segundo o folclorista, passou a assinar Silvio da Silveira Ramos e, "depois, só Silvio Romero, por o encurtar ainda mais [...]". O sobrenome Romero, segundo Silvio Rabelo, não era da família e que o pai, André Ramos, oficial da Guarda Nacional, adotara sem se saber como.

Contava com apenas seis semanas de vida quando uma epidemia de febre amarela invadiu a vila de Lagarto e se apoderou de outros lugarejos. Silvio foi levado para o Engenho Moreira pertencente aos seus avós maternos e que ficava a quatro léguas de sua terra natal.

Retornou para a vila de Lagarto aos cinco anos por causa de uma epidemia de cólera que atacara o Engenho Moreira, e ali ficou até 1863.

Seus primeiros estudos foram feitos na vila onde nasceu e os preparatórios no Rio de Janeiro, no Ateneu Fluminense, de 1863 a 1867. Regressou à vila de Lagarto em janeiro de 1868. No mês seguinte, seguiu para o Recife onde ingressou na Faculdade de Direito e concluiu o curso de Ciências Jurídicas em 1873. A cidade do Recife foi uma escala necessária à carreira de letras e a esta cidade Silvio Romero se ligou para sempre.

Em fins do ano de 1869, Silvio começou a aparecer na imprensa do Recife estimulado por Tobias Barreto e pela polêmica entre o padre Pinto de Campos e o general Abreu e Lima, a propósito de Bíblias falsificadas. Sua colaboração na imprensa se fez primeiro com a monografia A poesia contemporânea e a sua intuição naturalista, depois com versos ou com a série de artigos contra o romantismo e a poesia da época.

Silvio Romero é considerado a figura central da segunda fase (1875-1878) da Escola do Recife ou Geração de 1871. A Escola do Recife foi um movimento de caráter sociológico e cultural que tomou lugar nas dependências da Faculdade de Direito do Recife e contribuiu para a formação intelectual brasileira nos temas da sociologia, da antropologia, crítica literária e estética.

Entre 1873 e 1874, ocupou o cargo de promotor público na comarca de Estância, lugarejo do interior de Sergipe, e foi eleito deputado provincial deste Estado. Aos 25 anos casou-se com a pernambucana Clarinda Diamantina Correia de Araújo e, em novembro do mesmo ano, segue para a cidade de Parati, no Rio de Janeiro, onde foi nomeado juiz. Durante o tempo em que ficou naquela cidade, dois anos e meio, nada publicou. Essa sua estada em Parati serviu para arrumar a sua produção até então dispersa. Desse trabalho nasceu a idéia da série intitulada Oito Anos de Jornalismo, que ele redigiu em oito volumes. 
Foi casado por três vezes: com Clarinda Diamantina, com Maria Liberato e com Petronila Barreto.

Fixou residência no Rio de Janeiro em 16 de maio de 1879. Começou a escrever para o jornal O Repórter, de propriedade de Lopes Trovão – que fora colega de Silvio na época dos exames preparatórios. No dia 19 do mesmo mês publicou uma crítica parlamentar assinando com o pseudônimo de Feuerbach. Logo após, em 27 de maio, aparecem artigos, inclusive atacando as grandes figuras do parlamento: José Bonifácio, Joaquim NabucoVisconde do Rio BrancoJoão Alfredo entre outros. O jornal O Repórter teve uma atuação muito curta. Quando encerrou suas atividades, em agosto de 1879, Silvio Romero passou algum tempo sem escrever. Pouco depois, recebeu convite de Franklin Távora para ser colaborador efetivo da Revista Brasileira. Neste periódico, Silvio escreveu artigos de várias temáticas: folclore, poesia popular, literatura.  A repercussão positiva confirmavam a sua notoriedade. Entretanto, como sempre fez críticas ao romantismo, Silvio não se furtou de investir numa das mais violentas ao publicar o seu quarto livro A literatura brasileira e a crítica moderna. Nele, entre outras tantas opiniões e críticas, Silvio Romero escreve:.

A vida espiritual brasileira é pobre e mesquinha, desconceituada e banal para quem sabe pensar à luz de novos princípios. [...] Eis-nos dando o espetáculo de um povo que não pensa e não produz por si. [...] Basta considerar, por agora, a renovação romântica deste século com o seu ponto predileto – o indianismo. Nas grandes nações da Europa, como a Inglaterra e a Alemanha, o romantismo foi, em parte, uma volta aos sentimentos populares, uma ressurreição do passado no que ele tinha de mais aproveitável. [..] Dizem que um dos méritos do movimento romântico europeu é haver contribuido para tão fecunda renovação. No Brasil, passaram-se as coisas diversamente. A romântica brasileira teve o prestígio de falsificar e obscurecer o estudo de nossas origens e acumular trevas sobre os três primeiros séculos de nossa ezistencia.

Depois dessa publicação foram pouquíssimas as chances de participar de algum círculo literário do Rio de Janeiro. A escolha foi concorrer à vaga de professor de Filosofia do Imperial Colégio de D. Pedro II, o que ocorreu em 22 de dezembro de 1879. Em 13 de março de 1880 era publicado o decreto nomeando-o e, no dia 30, tomou posse, o que consolidou o prestígio de Silvio no Rio de Janeiro.

Em 20 de julho de 1897, Silvio Romero inaugura, como membro fundador, a Academia Brasileira de Letras e ocupa a cadeira que tem como patrono Hipólito da Costa.

Foi convidado para inaugurar um curso de etnografia brasileira na Faculdade de Letras de Paris, mas não aceitou por motivo de doença.

Silvio Romero faleceu aos 63 anos, no dia 18 de julho de 1914.

Escreveu artigos para vários periódicos a exemplo do jornal acadêmico Crença (1870), que ele próprio dirigia com Celso de Magalhães, Americano (1870), Correio Pernambucano (1871), Diario de Pernambuco (1871), Movimento (1872), Jornal do Recife (1872), A República (1873), O Liberal (1873), O Trabalho, Tribuna do Povo, O Repórter, com o pseudônimo de Feuerbach (1879), A Revista Brasileira (1880).

Entre os inúmeros trabalhos, se destacam.

Livros: A poesia contemporânea e a sua intuição naturalista (1869); Se a Economia Política é uma ciência (1873); Discurso na Assembléia Provincial de Sergipe (1874); Etnologia selvagem (1875); Contos do fim do século (1878); A filosofia no Brasil (1878); A literatura brasileira e a crítica moderna (1880); Da interpretação filosófica na interpretação dos fatos históricos (1880, tese); O Naturalismo em literatura (1882); Introdução à História da Literatura Brasileira (1882); Últimos Harpejos (1883); Ensaios de crítica parlamentar (1883); Contos populares do Brasil (1883); Lucros e perdas, crônica mensal dos acontecimentos (1883); Valentim Magalhães, estudos (1884); Estudos de literatura contemporânea, páginas de crítica (1885); Uma esperteza, “Os cantos e contos populares do Brasil e o Sr. Teófilo Braga (1888); Etnografia brasileira, estudos críticos (1888); História da literatura brasileira, 2v. (1888) .

Artigos: A poesia de Harpejos Poéticos (1870); O que entendemos por poesia crítica (1870); Cartas a Manoel Quintiliano da Silva (1870); A poesia das Phalenas (1870); A poesia das Espumas Flutuantes (1870); Ainda a poesia das “Espumas Flutuantes” (1870); Sistema das contradições poéticas (1871); A poesia e os nossos poetas I (1871); A propósito de um livro (1871); O caráter nacional e as origens do povo brasileiro (1871); Uma página sobre Literatura Nacional (1872); Realismo e Idealismo (1872); As legendas e as epopéias (1872); A poesia e a religião (1872); A poesia e a ciência (1872); Camões e os Lusíadas (1872); A rotina literária (1872); As cartas de Sempronio e Cincinato contra Senio  (1872); Uns versos de moça  (1872); A crítica literária (1873); A poesia de hoje (1873); O romantismo no Brasil – seu ponto de partida; seu desenvolvimento; o romance e o drama (1873); O romantismo no Brasil e em Portugal – o nacionalismo literário (1873); O problema histórico das raças (1874); O indianismo e o sentimento nacional na literatura (1874); Síntese do movimento literário brasileiro atual (1874, série de três artigos); Um etnólogo brasileiro: Couto de Magalhães  (1874); A poesia popular no Brasil (1880); A questão do dia, a emancipação dos escravos (1881); O martírio de Tobias Barreto (1890);Compêndio da História da Literatura Brasileira (1906). 



Recife, 26 de novembro de 2010. 

 

Fontes consultadas

MENDONÇA, Carlos Süssekind de. Silvio Romero: sua formação intelectual 1851-1880. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938. (Brasiliana, série 5, v. 114). 

RABELLO, Sylvio. Itinerário de Sylvio Romero. Rio de Janeiro: José Olympio, 1944. (Coleção Documentos Brasileiros, 43). 
 

Como citar este texto

BARBOSA, Virgínia. Silvio Romero. In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2010. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/silvio-romero/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2009.)