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Marujada de Bragança

Marujada de Bragança é uma festa popular de representação cultural do folclore brasileiro. 

Marujada de Bragança

Artigo disponível em: ENG

Última atualização: 27/07/2022

Por: Júlia Morim - Consultora Fundação Joaquim Nabuco/Unesco - Cientista Social, Mestre em Antropologia

Vou fazer uma canção em louvor ao santo preto
Canta, povo bragantino: bendito, oh! bendito.
Quando chegar dezembro
Qual é o santo que está no andor?
É são Benedito com Nosso Senhor.
Marujada de São Benedito
em louvor ao protetor
vem vestindo azul ou vermelho carmim na festa
no barracão dança xote, mazurca e chorado
nos duzentos anos de louvação
mas fico mesmo encantado
quando dança retumbão
(Marujada de São Benedito, do grupo Arraial do Pavulagem)


A fundação da Irmandade do Glorioso São Benedito de Bragança marca o início da Marujada de Bragança. Em 1798, escravos tiveram a autorização de seus senhores para criar a organização e louvar ao Santo Preto: São Benedito. Em agradecimento, saíram de porta em porta comemorando. Desde então, há mais de duzentos anos, a Marujada acontece no âmbito da Festividade do Glorioso São Benedito, que ocorre de 18 a 26 de dezembro, e envolve os moradores de Bragança, município localizado no nordeste paraense, não apenas durante a festa, mas também nos preparativos que ocorrem ao longo do ano. 

Em maio tem início o período de esmolação, quando uma comitiva sai pela região com a imagem peregrina arrecadando doações para a festa. Em 8 de dezembro, ocorre uma procissão fluvial da localidade de Camutá até o porto de Bragança. Nos dias pares da semana que antecedem à festividade, há ensaios da Marujada no salão da Igreja de São Benedito. No dia 18 de dezembro, começa oficialmente a festividade com a Alvorada, às 5 da manhã, quando se ergue o mastro e marujas e marujos caminham descalços até a Igreja de São Benedito. As apresentações da Marujada seguem até o encerramento da festa, em 26 de dezembro.  

Organizada pela Irmandade, a Marujada é quase unicamente constituída por mulheres que assumem o papel de direção. O cargo mais alto da hierarquia da Marujada, que é vitalício, é o de capitoa, geralmente ocupado pela mais velha do grupo, que desfila carregando um bastão dourado simbolizando sua autoridade. A subcapitoa, escolhida pela capitoa e sua substituta, está em um nível seguinte. Os homens, marujos dirigidos por um capitão, participam como tocadores ou acompanhantes.

Trajando blusa branca, faixa de fita vermelha e uma rosa de tecido, saia rodada comprida vermelha, azul ou branca e um chapéu vistoso enfeitado com fitas (quanto mais antiga, mais fitas) e plumas, as marujas visitam as casas, como na festa primeva, dançando ou andando em duas filas pelas ruas da cidade. À frente das filas, a capitoa e a subcapitoa. Acompanham-nas os marujos, vestidos com calça e camisa brancas, tocando tambor, pandeiro, cavaquinho, cuíca, viola e rabeca. No dia 25 de dezembro, a saia das marujas e a blusa dos marujos são azuis. Já no dia 26, a saia das marujas e a fita amarrada no braço dos marujos são vermelhas. O ritmo predominante da Marujada é o retumbão, mas durante a celebração também há a execução de xote, chorado, mazurca, cada um associado a uma dança específica.

São ainda momentos integrantes da festividade em louvor ao São Benedito a cavalhada, no dia 25, o leilão e a procissão, no dia 26.  Na cavalhada, cavaleiros disputam argolas azuis e vermelhas, vencendo aquele que obtiver o maior número de argolas. O leilão é o momento que os participantes arrematam donativos arrecadados pela Igreja para a realização da festa.  A procissão é um grande momento de devoção, quando o Santo Preto percorre a cidade, terminando com uma missa. A derrubada do mastro marca o fim da celebração religiosa. 

Estima-se que mais de oitenta mil pessoas se dirigem a Bragança para acompanhar a celebração, considerada Patrimônio Cultural do Pará por meio da Lei Estadual n. 7.330, de 17 de novembro de 2009.

 

 

Recife, 27 de maio de 2014.

Fontes consultadas

CARVALHO, Gisele Maria de Oliveira. A “festa do santo preto”: tradição e percepção da Marujada Bragantina. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável) – Universidade de Brasília, Brasília, 2010. Disponível em: <http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/7940/1/2010_

GiseleMariadeOliveiraCarvalho.pdf>. Acesso em: 27 maio 2014.  

SEBRAE. Marujada: Bragança-PA. Disponível em: <http://www.pa.sebrae.com.br/sessoes/servicos/cultura/marujada.asp>. Acesso em: 27 maio 2014.

PARÁ. Secretaria de Estado de Comunicação. Marujada. Disponível em: <http://marujada.pa.gov.br/>. Acesso em: 27 maio 2014.

PONTO de Cultura Marujada de Bragança. História: Marujada. Disponível em: <http://www.marujada.com.br/index.php?pagina=conteudo&cat=1&id=2>. Acesso em: 27 maio 2014.

Como citar este texto

MORIM, Júlia. Marujada de Bragança. In: PESQUISA Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2014. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/marujada-de-braganca/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)