O escritor Josué Montello nasceu na cidade de São Luís, Maranhão, no dia 21 de agosto de 1917. Seu pai, Antônio Bernardo Montello, era descendente de italianos e sua mãe, Mância de Souza Montello, tinha origem portuguesa.
Cursou o primário na Escola Modelo Benedito Leite e o secundário no Liceu Maranhense. Quando aluno do Liceu, dirigiu o periódico A Mocidade, onde publicou seus primeiros trabalhos.
Aos 15 anos, passou a integrar a Sociedade Literária Cenáculo Graça Aranha, em São Luís, da qual participavam escritores maranhenses ligados ao modernismo. Também nessa época, inicia sua atuação na imprensa, passando a colaborar com os jornais maranhenses A Tribuna, Folha do Povo e O Imparcial.
No início de 1936, mudou-se para Belém, no Pará, onde também assinou várias matérias em revistas e jornais locais, principalmente para O Estado do Pará. Em dezembro do mesmo ano, passou a morar no Rio de Janeiro, logo se integrando a um grupo de escritores reunidos em torno do semanário Dom Casmurro, jornal de Brício de Abreu, dirigido por Álvaro Moreyra e Jorge Amado, especializado em literatura. Além do Dom Casmurro, escreveu artigos, crítica teatral e matérias variadas para a Ilustração Brasileira, O Malho, suplementos de domingo do Diário de Notícias e do Jornal do Commercio, entre outros.
Em 1937, com apenas 20 anos de idade, foi nomeado inspetor federal do Ensino Comercial e, no ano seguinte, obteve o 2º lugar no concurso para técnico de educação do Ministério da Educação, com a tese O sentido educativo da arte dramática.
Em 1946, convidado pelo Governo do Maranhão, elaborou um plano para a reforma do ensino primário e normal do Estado, que foi posteriormente transformado em lei.
Exerceu diversos cargos, entre os quais o de secretário-geral do Maranhão durante a interventoria de Saturnino Belo; os de Diretor da Biblioteca Nacional, do Museu Histórico Nacional, do Museu da República (Palácio do Catete), do Serviço Nacional de Teatro, no Rio de Janeiro, e o de reitor da Universidade Federal do Maranhão, em São Luís. Foi professor de Organização de Bibliotecas do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP); de literatura brasileira no Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional, na Universidad Mayor de San Marcos, no Peru e nas Universidade de Lisboa e de Madri. Também enveredou pela área política, tendo exercido o cargo de subchefe da Casa Civil da Presidência da República, em 1956, durante o governo de Juscelino Kubitschek.
Em 1953, a convite do Itamaraty, viaja ao Peru para inaugurar a Cátedra de Estudos Brasileiros, na Universidad Mayor de San Marcos, onde organizou também a Primeira Exposição de Livros Brasileiros e, no ano seguinte, é designado pelo órgão para reger a Cátedra de Estudos Brasileiros na Universidade de Lisboa.
Aos 37 anos, no dia 4 de novembro de 1954, é eleito para a Cadeira nº 29 da Academia Brasileira de Letras, sendo o mais jovem integrante daquela instituição em toda a sua história, exercendo também a sua presidência nos anos de 1994 e 1995.
Colaborador permanente do Jornal do Brasil, onde manteve uma coluna semanal até 1990, escrevia ainda para a revista Manchete e outras publicações da Editora Bloch.
No seu estado natal, criou e organizou o Conselho Federal de Cultura, o Museu Histórico e Geográfico do Maranhão, a Casa de Cultura, além de ser um dos fundadores da Universidade Federal do Maranhão. Foi presidente do Conselho Federal de Cultura, conselheiro cultural da embaixada do Brasil em Paris e embaixador do Brasil junto a Unesco.
Recebeu diversos títulos honoríficos e vários prêmios, entre os quais podem ser destacados: o Silvio Romero de Crítica e História (1945), Arthur Azevedo de Teatro (1947) e Coelho Neto de Romance (1953), da Academia Brasileira de Letras; Fernando Chinaglia de Romance (1965), Intelectual do Ano (1971) e Oliveira Martins (2000), da União Brasileira de Escritores; Nacional de Romance (1979), do Instituto Nacional do Livro; Grande Prêmio da Academia Francesa (1987); Guimarães Rosa, de prosa (1998).
Autodidata, é autor de uma vasta obra que inclui livros de história, educação, romances, ensaios, novelas, peças teatrais, crônicas e livros para o público infanto-juvenil, publicados de 1936 a 2000, entre os quais podem ser destacados, em ordem cronológica:
História dos homens de nossa história (com Nélio Reis, 1936);
Janelas fechadas (1941);
Gonçalves Dias (1942);
Precisa-se de um anjo (1943)
O Tesouro de Dom José (1944)
Histórias da vida literária (1944)
Os holandeses no Maranhão (1945);
As Aventuras do Calunga (1945),
O Bicho do Circo (1945);
A Viagem Fantástica (1945).
Escola da Saudade (1946)
A Luz da Estrela Morta (1948);
Hamlet de Antonio Nobre (1949);
Cervantes e o Moinho de Vento, (1950);
Labirinto de Espelhos (1952);
Fontes Tradicionais de Antonio Nobre (1953)
O Verdugo (1954);
O fio da Meada (1955);
Artur Azevedo e a Arte do Conto (1956)
A Décima Noite (1959);
A Miragem (1959);
Através do Olho Mágico (1959);
O Oratório Atual do Brasil (1959);
Caminho da Fonte (1959);
O Anel que Tu Me Deste (1960);
A Baronesa (1960);
Alegoria das Três Capitais (1960);
O Presidente Machado de Assis (1961);
Os Degraus do Paraíso (1965);
Duas Vezes Perdida (1966);
Numa Véspera de Natal (1967);
Uma Tarde, Outra Tarde (1968);
Uma Palavra Depois de Outra (1969);
Un Maître Oublié de Stendhal (1970);
Estante Giratória (1971);
Cais da Sagração (1971;)
A Indesejada Aposentadoria (1972);
Os Tambores de São Luís (1975);
Glorinha (1977);
A Cultura Brasileira (1977);
Noite sobre Alcântara (1978);
A Coroa de Areia (1979);
O Melhor do Conto Brasileiro (1979);
O Silêncio da Confissão (1980);
Pelo telefone (1981);
Largo do Desterro (1981);
Aleluia (1982);
Pedra Viva (1983);
Um Rosto de Menina (1983);
Brazilian Culture (1983;)
Viagem ao Mundo de Dom Quixote (1983);
Os Caminhos (1984);
Uma Varanda sobre o Silêncio (1984);
Perto da Meia-Noite (1985);
Lanterna Vermelha (1985);
Antes que os Pássaros Acordem (1987);
A Última Convidada (1989);
Um Beiral para os Bem-te-vis (1989);
O Camarote Vazio (1990);
O Baile da Despedida (1992);
A Viagem sem Regresso (1993);
Janela de Mirante (1993);
Um Apartamento no Céu (1995);
Uma Sombra na Parede (1995);
A Mulher Proibida (1996);
Enquanto o Tempo não Passa (1996);
Fachada de Azulejo (1996);
Condição Literária (1996);
Memórias Póstumas de Machado de Assis (1997);
O Baile da Despedida (1997);
Baú da Juventude (1997);
Os Inimigos de Machado de Assis (1998);
O Juscelino Kubitschek de Minhas Recordações (1999);
Sempre Serás Lembrada (2000).
Josué Montello morreu, aos 88 anos, no Rio de Janeiro, em 15 de março de 2006.
Recife, 11 de novembro de 2011.
Fontes consultadas
CULTURA & Folclore/Artes e Literatura/ Josué Montello. Patrimoniodahumanidade.com Disponível em: <http://www.patrimonioslz.com.br/pagina989.htm>. Acesso em: 1º nov. 2011.
JOSUÉ Montello [Foto neste texto]. Disponível em: <http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/biografias/josuemontello.htm>. Acesso em: 19 ago. 2017.
MORAES FILHO, Evaristo de. Josué Montello, grande homem de letras. Disponível em: <http://www.bvemf.ifcs.ufrj.br/Arquivos/Discursos/Josu%C3%A9%20Montello.pdf>. Acesso em: 28 set. 2011.
NOTA da editora: dados biobibliográficos do autor. In: MONTELLO, Josué. A polêmica de Tobias Barreto com os padres do Maranhão. Rio de Janeiro: J. Olympio; Brasília: INL, 1977. p. vii-ix. (Documentos brasileiros, v.813).
Como citar este texto
GASPAR, Lúcia. Josué Montello. In: PESQUISA Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2011 . Disponível em:https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/josue-montello/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)


