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José Américo de Almeida

Data Nasc.:
10/01/1887
Data de falecimento.:
10/03/1980
Ocupação:
Político, Escritor
Formação:
Direito

José Américo de Almeida

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 06/05/2022

Por: Lúcia Gaspar - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Documentação Científica

O escritor e político paraibano José Américo de Almeida nasceu no engenho Olho d`Água, município de Areia, no dia 10 de janeiro de 1887, filho de Inácio Augusto de Almeida e de Josefa Leopoldina Leal de Almeida.

 

Iniciou seus estudos no engenho onde nasceu, com a professora Júlia Verônica dos Santos Leal. Após a morte do seu pai, aos nove anos, foi entregue aos cuidados de um tio, o padre Odilon Benvindo, que tentou iniciá-lo na carreira eclesiástica, internando-o no Seminário de João Pessoa. Sem vocação, no entanto, deixou o Seminário e ingressou no Liceu Paraibano e depois na Faculdade de Direito do Recife, bacharelando-se em 1908.

Depois de formado voltou à Paraíba, onde foi nomeado promotor da comarca de Souza.

Ocupou importantes cargos públicos nas esferas estadual e nacional. Foi procurador-geral, consultor jurídico, secretário estadual das pastas do Interior e Justiça e Segurança Pública (no governo de João Pessoa), governador da Paraíba, ministro da Viação e Obras Públicas, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e embaixador do Brasil junto à Santa Sé, no governo do presidente Getúlio Vargas, exercendo ainda mandatos de deputado federal e senador pelo seu Estado.

Em 1937, foi lançado como candidato à presidência da República, porém em novembro deste mesmo ano, Getúlio Vargas fechou o Congresso Nacional e cancelou as eleições presidenciais, dando início ao Estado Novo (1937-1945).

José Américo afastou-se de Vargas, mas continuou como ministro do TCU durante todo o período do Estado Novo, voltando às suas atividades políticas no final de 1944.

Eleito senador pela Paraíba, em fevereiro de 1945, recompôs-se politicamente com Getúlio Vargas, voltando a assumir o Ministério da Viação e Obras Públicas, cargo que ocupou até a morte de Vargas em 1954.

Candidatou-se à vice-presidência da República, em 1946, mas perdeu a eleição para o senador Nereu Ramos.

Em janeiro de 1947, foi eleito senador pela Paraíba e escolhido para presidir o partido da União Democrática Nacional (UDN), porém, no ano seguinte, desligou-se do partido por divergir de algumas de suas linhas de atuação e fundou, no seu estado natal, o Partido Libertador, pelo qual se elegeu governador em 1950.

Lançou-se candidato ao Senado Federal, em 1958, mas não conseguiu eleger-se, afastando-se então da vida pública. Num retiro voluntário, recolheu-se à sua residência na praia de Tambaú, em João Pessoa, ficando conhecido posteriormente como o Solitário de Tambaú.

Além de político, José Américo também se destacou como escritor. Escreveu várias obras, porém sua obra-prima é o romance regionalista A bagaceira, lançado em 1928 e, atualmente, com mais de trinta edições em língua portuguesa e traduções para diversos idiomas, entre os quais o espanhol, o inglês, o francês e o esperanto.

Em 1967, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, na Cadeira 38, cujo patrono é Tobias Barreto, sucedendo ao professor Maurício Medeiros.

Foi colaborador da Revista Era Nova e do jornal A União, de João Pessoa, na Paraíba.

Quando se afastou da vida pública, dedicou-se a escrever suas memórias, publicando O ano do nego, em 1968, Eu e eles, em 1970 e Antes que me esqueça, em 1976.

Foi homenageado pela União Brasileira de Escritores, em 1976, com título deO Intelectual do Ano, recebendo o troféu Joça Pato.

Publicou dezessete obras: Reflexões de uma cabra (1922); A Paraíba e seus problemas (1923); A bagaceira (1928); Ministério da Viação no Governo Provisório(1933); O ciclo revolucionário do Ministério da Viação; O boqueirão; Coiteiros (1935); As secas do Nordeste (1953); Ocasos de sangue: crônicas (1954; Sem me rir, sem chorar(1957); Discursos do seu tempo (1964); A palavra e o tempo (1965); Ad imortalitatem(discurso de posse na ABL, 1967); O ano do nego(1968); Graça Aranha, o doutrinador: ensaio (1968); Eu e eles (1970); Quarto minguante: poesia (1975); Antes que me esqueça (1976).

José Américo de Almeida morreu no dia 10 de março de 1980, em João Pessoa, capital da Paraíba.

Depois da sua morte, a casa em que vivia foi transformada em museu, guardando as mesmas características de quando nela residia. Hoje o Museu José Américo de Almeida faz parte da Fundação José Américo, órgão cultural mantido pelo Governo da Paraíba.

 

 

 

Recife, 28 de julho de 2005.
 

Fontes consultadas

BIOGRAFIAS: José Américo de Almeida. Disponível em: <http://www.cpdoc.fgv/nav_historia/htm/biografias/ev_bio_joseamericoalmeida.htm>. Acesso em: 8 jun. 2005.

JOSÉ Américo de Almeida. Disponível em:<http://www.academia.org.br/imortais/cad/38americo.htm>. Acesso em: 6 jun. 2005.

JOSÉ Américo de Almeida. Disponível em: <http://www2.aplpb.com.br/academifcos/josea.htm>.  Acesso em: 8 jun. 2005.

MENEZES, José Rafael de. José Américo de Almeida, um homem do bem comum. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967.

Como citar este texto

GASPAR, Lúcia. José Américo de Almeida. In: PESQUISA Escolar. Fundação Joaquim Nabuco, 2005. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/jose-americo-de-almeida/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)