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Dirceu Pessoa

Data Nasc.:
24/08/1937
Data de falecimento.:
08/09/--
Ocupação:
Professor
Formação:
Filosofia, Economia

Dirceu Pessoa

Artigo disponível em: ENG ESP

Última atualização: 25/10/2021

Por: Lúcia Gaspar - Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco - Especialista em Documentação Científica

Dirceu Murilo Pessoa nasceu no Recife, no dia 24 de agosto de 1937, filho de João Baudel Pessoa e Antônia de Andrade Pessoa.

Bacharel em Filosofia pelo Institut Catholique de Paris, em 1958, licenciado em Ciências Sociais pelo Institut de Sciences Sociales, também de Paris, em 1960, graduou-se em Economia pela Faculdade de Ciências Econômicas, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, em 1965.

Em 1968, diplomou-se em Programação Global do Desenvolvimento pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe/Instituto Latinoamericano e do Caribe de Planejamento Econômico e Social (CEPAL/ILPES).

No período de 1960 a 1970, foi funcionário da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) onde exerceu diversas funções de assessoria e direção, entre as quais podem ser destacadas a coordenação do Grupo de Aproveitamento de Terras Públicas (1962); as chefias da Divisão de Organização Agrária (1963/1964) e da Seção de Economia do Grupo do Vale do Jaguaribe (1966/1968).

De 1971 a 1976, foi professor da cadeira de Economia dos Recursos Naturais, no Programa de Mestrado em Economia da UFPE.

Casou-se com a professora de Literatura Brasileira e Francesa da UFPE, Maria Nilda de Miranda Pessoa, com quem teve quatro filhos, Fernando Antonio (falecido em um acidente de trânsito, em 1975),Carlos André, Luís Henrique e João Paulo.

Em 1981, obteve o título de doutor em Economia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris, com a tese Reflexions sur le devéloppement rural du Nord-Est du Brésil, sobre a pobreza rural e a questão fundiária no Nordeste brasileiro.

Fundou e dirigiu a Serviços Integrados de Assessoria e Consultoria (Sirac) no período de 1970-1982 e, em outubro de 1982, assumiu o Departamento de Economia do Instituto de Pesquisas Sociais, da Fundação Joaquim Nabuco, dirigindo-o até agosto de 1987, quando – convidado peloentão ministro da Reforma e Desenvolvimento Agrário, senador Marcos Freire – assumiu a Secretaria Geral do Ministério da Reforma Agrária e do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, Distrito Federal.

Seus estudos e pesquisas foram sempre direta ou indiretamente ligados à questão da terra. Mesmo quando estudava a seca e o semiárido no Nordeste brasileiro, avaliava os impactos sociais e repercussões que a estiagem tinha sobre os trabalhadores sem terra e os minifundiários.

Publicou diversos trabalhos entre os quais podem ser destacados:

· Reforma agrária e desenvolvimento rural [Recife: Sudene, 1964];
· Colonização e reforma agrária: subsídios para uma política de colonização agrícola para o Nordeste, em colaboração com Jorge Coelho [Recife: Sudene, 1965];
· Vale do Moxotó: análise sócioeconômica de uma bacia de açude público, em colaboração com Clóvis Cavalcanti [Recife: IJNPS, DNOCS, 1970];
· Estatuto da terra: uma avaliação [Boletim de Agricultura, Recife, v.3, n.1, p. 217-238, jan./jun. 1979];
· Da pobreza rural no Nordeste do Brasil [Revista de Economia Rural, Brasília, v.19, n.3, p.377-399, jul./set. 1981];
· Estratificação social e vulnerabilidade: a seca. [Boletim sobre População Emprego e Renda no Nordeste, Recife, v. 2, n. 1, p. 125-138, jan./abr. 1983];
· Pobreza da terra, pobreza de terra, pobreza dos sem terra. [Revista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v. 15, p. 699-716, out./dez. 1984];
· Transposição de águas do São Francisco: alcance e limites de uma proposta [Cadernos de Estudos Sociais, Recife, v.1, n.1, n.37-52, jan./jun. 1985];
· Sequias em El Nordeste Del Brasil: de La catástrofe natural a La fragilidad social [In: CAPUTO, M.G.; HARDOY, J.E.; HERZER, H. M.Desastres naturales y sociedad em América Latina. BuenosAyres: CLACSO/GEL, 1985];
· Northeast Brazil agricultural marketing Project: sucess but confined impact, em colaboração com Stahis Panagides e Donald Larson [AID Project Impact Evoluation Repport, September 1985];
· Reforma agrária em debate: conferências, comentários e debates sobre a proposta de reforma agrária da Nova República(Organizador) [Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 1986];
· Drought in Northeast Brazil: impact and government response.[In: Drought: crediction, defection, impact assessment and response, Boulder, Col; Westview Press, 1987];
· Transposição do Rio São Francisco: a dimensão socioeconômica(Coordenador) [Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 1989];
· Espaço rural e pobreza no Nordeste do Brasil [Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 1990];
· Política fundiária no Nordeste: caminhos e descaminhos(Coordenador) [Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 1990].

Além de renomado economista, sociólogo e filósofo, Dirceu também era poeta. Sempre preocupado com o que pudesse resultar em melhor qualidade de vida para a população carente, especificamente o homem do campo e os pequenos produtores rurais, era solidário com os excluídos, como pode ser visto numa das suas poesias:

 

Do monte silencioso.
Das horas estudiosas,
Da inspiração coletiva,
Três segredos
Três momentos
Três votos:
O melhor que queres fazer
O que de melhor fazer,
Fazer melhor o que fazes

São chamados flagelados,
Tantas sagradas famílias,
Sem lugar na hospedaria:
Retirantes à procura
De uma terra prometida
Onde fossem assentados

Gostava da boa leitura tanto quanto gostava de escrever. Carnavalesco, começava a se preparar para a festa seis meses antes. Era apaixonado pelo Galo da Madrugada, Bloco da Saudade e pela Flor de Lira. Segundo um depoimento do sua irmã Valderez:


– Ele não perdia tempo com nada. Toda a sua atividade tinha sempre um resultado positivo, era muito prático no emprego de seu tempo, porém com naturalidade. Era um dom muito seu. Daí, sua grande e variada produção literária, da poesia à pesquisa de campo, em publicações feitas em português, francês, inglês e espanhol, idiomas que ele dominava bem.


Em 1986, no dia 24 de agosto, reuniu familiares e amigos para comemorar os seus 50 anos, anunciando que aquele seria o maior aniversário da sua vida, por isso queria todos juntos.

No ano seguinte, no dia 8 de setembro, Dirceu Pessoa morreu num trágico acidente aéreo, quando o jatinho em que viajava com o então ministro Marcos Freire e assessores explodiu logo após a decolagem.

 

 

 

Recife, 30 de abril de 2009.
 

Fontes consultadas

COELHO, Jorge. Dirceu (Murilo) Pessoa (1937-1987): um amigo fraterno. Ciência & Trópico, Recife, v. 25, n. 1, p. 107-111, jan./jun. 1997.

FERNANDES, Nair Pessoa Ferraz. Informações por e-mail, em 31 de dezembro de 2010.

GUIMARÃES NETO, Leonardo. Dirceu Pessoa. O Economista, Recife, ano 2, n. 3, [s.p.], out. 1987.

HISTÓRIA e dedicação. O Economista, Recife, ano 2, n. 3, [s.p.], out. 1987.

SAMPAIO, Inaldo. 20 anos sem Marcos Freire. Jornal do Commmercio, Recife, 9 set. 2007

Como citar este texto

GASPAR, Lúcia. Dirceu Pessoa. In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2009. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/dirceu-pessoa/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)