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Clube Taboquinhas

O Clube Taboquinhas é único remanescente dos antigos grupos de fado, típicos do carnaval da Vitória de Santo Antão.

Clube Taboquinhas

Última atualização: 11/04/2025

Por: Walter Wagner de Andrade Pereira - Cientista Social, Mestre em Antropologia

Fundado em 1924, na cidade de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, o Clube Taboquinhas é o único remanescente dos tradicionais clubes de fado, que marcaram o carnaval da cidade nas décadas passadas.

 

Uma das versões para a origem do clube conta que o Taboquinhas foi criado por um imigrante português residente em Vitória, como uma homenagem à sua terra natal. Há quem afirme que, inicialmente, os clubes de fado realmente tocavam a música portuguesa tradicional, desfilando nos ciclos festivos da cidade.

 

Com o tempo, porém, integraram-se ao ciclo carnavalesco, passando a tocar frevo. Atualmente, é possível perceber tanto as influências visuais dos fados quanto elementos indiretos, como a instrumentação e as temáticas saudosistas e melancólicas que ainda permeiam o repertório do grupo.

 

Originalmente, o Clube Taboquinhas era formado apenas por homens, mas, com o tempo, as mulheres conquistaram seu espaço e passaram a integrar ativamente o grupo, o que resultou na sua mudança para o nome Clube Carnavalesco Misto. Entre 1991 e 2010, a professora Eunice Vasconcelos Xavier exerceu a presidência do clube, marcando uma fase importante da sua história.

 

Em seu desfile, o Taboquinhas costuma sair com um “cordão” de foliões que carregam tabocas (uma espécie de vara de bambu), e batem no chão ao ritmo da música. Os principais personagens do desfile são a Sinhá Pequena, Senhora Helena e o Porta-Estandarte, que exibe o símbolo do grupo: uma caravela portuguesa.

 

Outros personagens, como as damas, os cavalheiros e o abre-alas, também compõem o cortejo. A parte musical fica a cargo de uma orquestra de pau e corda, com instrumentos como violões, bandolins, pandeiros, rabecas e cavaquinhos, acompanhados pelo canto dos foliões do cordão.

 

As vestimentas do grupo são inspiradas nos camponeses portugueses, com as mulheres usando lenços na cabeça, vestidos longos e aventais, enquanto os homens se vestem com camisas de manga longa, coletes pretos, lenços no pescoço e chapéus. As cores predominantes nas roupas são o verde e o vermelho, símbolos do grupo.

 

Diferentemente de outras agremiações carnavalescas, o Clube Taboquinhas não possui sede e não desempenha mais ações ao longo do ano, ficando restrito ao período do carnaval. O desfile acontece tradicionalmente na noite da sexta-feira que antecede o Carnaval, iniciando o percurso saindo da residência de um membro do clube no bairro da Matriz e seguindo até o bairro do Livramento, finalizando novamente na Matriz.  Esses dois bairros, historicamente, abrigam uma população de classes mais altas, sendo esse um dos fatores que levam muitas pessoas a considerarem o grupo como de elite.

 

Embora seja nomeado como um clube de fado, o Clube Taboquinhas aproxima-se bastante do que são os Blocos Líricos do Recife, devido à formação instrumental e às vozes, lembrando muito a sonoridade desses grupos. 

 

Apesar disso, o historiador e ex-dirigente do Clube, Pedro Humberto Ferrer de Morais, afirma que as melodias do grupo se assemelham mais ao frevo-canção. Um exemplo dessa fusão é a versão adaptada do frevo “É de Fazer Chorar”,  de Luiz Bandeira, que transformou-se em:

 

“É de fazer fazer chorar / Taboquinha querida agora vai regressar / Adeus, foliões queridos / Até para o ano quando nós voltar (sic).”

 

O Clube Taboquinhas, ao longo dos seus mais de 100 anos de história, se consolidou como um conjunto tradicional no carnaval vitoriense, arrastando várias pessoas em seus desfiles. Nos festejos, vai pedindo “passagem em folia” a cada novo carnaval.

 

 

 

Recife, 05 de abril de 2025.

Fontes consultadas

ANDRADE, Walter. Fado e frevo: o clube carnavalesco Taboquinhas de Vitória de Santo Antão (PE). Revista Anthropológicas Visual, Recife, v. 5, n. 1, p. 17–37, 2017. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/index.php/revistaanthropologicasvisual/article/view/24102. Acesso em: 4 abr. 2025.

 

ALVES, Cleide. Fado e frevo nas ruas da Vitória. Jornal do Commercio, 16 fev. 2012. Disponível em: https://jc.uol.com.br/canal/jc-na-folia/noticia/2012/02/16/fado-e-frevo-nas-ruas-de-vitoria-32460.php. Acesso em: 4 abr. 2025.

 

SILVA, Pilako. Taboquinhas: 92 anos de história. Blog do Pilako, 11 fev. 2016. Disponível em: https://www.blogdopilako.com.br/wp/2016/02/11/taboquinhas-92-anos-de-historia/. Acesso em: 4 abr. 2025.

Como citar este texto

PEREIRA, Walter Wagner de Andrade. Clube Taboquinhas. In: Pesquisa Escolar. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2025. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/clube-taboquinhas/. Acesso em: dia mês ano. (Ex.: 6 ago. 2020.)